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A semana em que Jeb Bush se mostrou horrível

Pré-candidato republicano à presidência dos EUA se complica ao responder sobre invasão do Iraque e ao expor fragilidade no que se refere a assuntos de política externa

GAIL, COLLINS, THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2015 | 02h03

Vamos discutir a semana terrível de Jeb Bush. Estou realmente perturbada com seu desempenho horrível, apesar de eu ser uma pessoa que recebe com naturalidade más notícias sobre políticos.

Por exemplo, um amigo acaba de me enviar uma história sobre a promessa do comissário de agricultura do Texas de trazer de volta comida frita em imersão às cantinas de escolas ("A questão não tem a ver com batatas fritas; tem a ver com liberdade"). Eu classificaria isso como uma surpresa interessante, mas, de certa forma, não chocante.

Hoje, porém, nós estamos falando de Jeb Bush. Como possível candidato presidencial, o traço mais interessante dele era uma aura de competência.

Uma competência extremamente tediosa, talvez. Mas ainda assim a aparente capacidade de atravessar o dia sem demonstrar uma inépcia verdadeiramente assustadora.

Aí, coisa de uma semana atrás, The Washington Post reportou que, durante uma reunião privada com ricos financistas de Manhattan, Jeb Bush anunciou que seu consultor mais influente para assuntos de Oriente Médio era seu irmão George.

Isso foi uma surpresa em muitas frentes. Em primeiro lugar, Jeb aparentemente perdeu o memorando sobre como tudo que se diz a potenciais doadores em reuniões privadas pode parar num incessante loop do YouTube para toda a eternidade.

Além disso, ele havia começar sua campanha praticamente anunciada à presidência com papo de vendedor, "eu sou eu". Agora ele estava dizendo, de fato, "bem, eu sempre posso perguntar ao meu irmão".

Aí, na segunda-feira, a Fox News transmitiu uma entrevista em que a apresentadora Megyn Kelly perguntou a Jeb se "sabendo o que nós hoje sabemos" ele teria autorizado a invasão do Iraque.

"Eu teria, e Hillary Clinton também teria, só para lembrar a todos", respondeu Jeb Bush.

Agora, ninguém acha, nem mesmo o pior inimigo de Hillary Clinton no mundo inteiro, que se ela pudesse voltar no tempo a 2002, sabendo que a invasão do Iraque seria um absoluto desastre e ela perderia a indicação presidencial em 2008 para um cara que concorreu precisamente com base nessa questão, ela ainda assim teria votado para autorizar o uso da força.

Portanto, Jeb Bush obviamente não entendeu a pergunta, certo? Aparentemente não. Ele prosseguiu para dizer: "Quero dizer que, se pode haver um grande divergência entre mim e meu irmão, esta não seria uma delas".

Agora aprendemos que: 1) Jeb Bush ainda acha que invadir o Iraque foi uma boa ideia; e, 2) ele herdou mais problemas de sintaxe da família do que sabíamos.

Avancemos rapidamente um dia: "Interpretei errado a pergunta, imagino", disse Jeb Bush a Sean Hannity numa entrevista a uma rádio. "Estava falando se, dado o que as pessoas sabiam então, você o teria feito, e não que sabendo o que sabemos agora.

E sabendo o que sabemos agora, você sabe, houve claramente erros." Ele ainda não afirmou que teria feito alguma coisa diferente do que seu irmão fez ("Isso é hipotético"). Mas ele estava de fato superando esse negócio sobre erros.

Depois Bush saiu para Nevada, fazendo campanha à sua maneira especial ("Estou concorrendo para presidente em 2016 e o foco vai ser em como nós, se eu concorrer, como se cria um crescimento econômico forte e sustentável").

Ele também anunciou que perguntas hipotéticas eram um "desserviço" aos soldados americanos e suas famílias.

O que está havendo aqui? A questão não é de fato sobre política externa. Jeb Bush claramente não sabe nada de política externa, mas o mesmo se pode dizer da maioria dos outros potenciais candidatos presidenciais republicanos.

A conclusão é que até agora ele parece ser um candidato terrível. Ele não poderia manter seu mantra "eu sou eu" por toda a primavera.

Ele falou demais numa reunião privada. Não soube como responder à pergunta sobre Iraque, que deveria ter sido a primeira coisa que ele deveria tratar no primeiro dia em que cogitou de pensar por um minuto em concorrer à presidência.

Esse é obviamente um problema para o campo de Jeb Bush, mas é também um grande problema para o exército de cidadãos preocupados do país. Há muitos americanos que não vão votar nos republicanos no próximo ano, mas, no entanto, encontraram algum conforto na ideia de que Jeb Bush quase certamente seria o nomeado republicano.

Eles podem discordar de Bush em várias questões, mas ao menos eles não são Ted Cruz. "Sou fã do Jeb Bush", disse Cruz cruelmente, quando indagado sobre o incidente envolvendo o Iraque. "Eu lhe dou o crédito pela candura e consistência."

Se a versão de Jeb Bush que estivemos vendo ultimamente é a que veremos pregada a ele, então um dos outros desafiantes republicanos vai vencer.

Talvez o cara para quem o Obamacare (a reforma do sistema de saúde implementada pelo governo Obama) é "a pior coisa desde a escravidão".

Ou o cara que em certa ocasião associou vacinas em crianças a doenças mentais. O cara que costumava impingir um "kit de solução de diabetes". O cara do engarrafamento na ponte. Por enquanto, vocês sabem, é tudo hipotético. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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