Lam Yik Fei / The New York Times
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A sofisticação da China na batalha digital

Pela primeira vez, país foi flagrado em táticas de guerrilha cibernética associadas à Rússia

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2019 | 03h00

A suspensão de quase mil perfis no Twitter, sete páginas, três grupos e cinco contas no Facebook e 210 canais no YouTube, todos acusados de fazer propaganda favorável a Pequim e de semear informações falsas contra os protestos em Hong Kong, chamou a atenção para a ação chinesa no campo de batalha digital. Pela primeira vez, a China foi flagrada em táticas de guerrilha cibernética associadas à Rússia.

Não é novidade que o Partido Comunista chinês paga a legiões de internautas por publicações favoráveis em blogs ou redes sociais locais (eles são conhecidos como “50-centavos”, pelo valor atribuído a cada post). Quem quiser, porém, ter ideia da sofisticação tecnológica chinesa deve prestar atenção à Província de Xinjiang, onde pelo menos 800 mil dos 13 milhões de uigures ou muçulmanos de outras etnias estão presos em campos de “reeducação” (a população é de 22 milhões).

De acordo com a Human Rights Watch, o Estado monitora informações – como tipo sanguíneo, DNA, hábitos religiosos ou preferências políticas – por meio de códigos QR nas casas, digitais, amostras de voz, reconhecimento facial ou impressões da íris. Câmaras ubíquas, celulares monitorados e créditos virtuais por bom comportamento integram um sistema de vigilância superior ao de qualquer Estado policial de que se tenha notícia. 

O protesto dos uigures também se tornou digital. Eles têm levado às redes sociais vídeos em que ficam em silêncio diante das imagens de parentes presos.

Constelação de satélites chineses supera GPS

O sistema chinês de localização por satélite BeiDou superou o rival americano Global Positioning System, mais conhecido pela sigla GPS. Só em 2018, a China somou 18 novos satélites ao BeiDou, segundo a Nikkei. No final de junho, a constelação chinesa contava com 35 satélites, ante 31 do GPS. A China promove o rival do GPS como meio de navegação preferencial nos investimentos em 137 países da iniciativa conhecida como Nova Rota da Seda.

Déficit público americano na casa do trilhão

Será de US$ 960 bilhões o déficit público americano este ano, 25% acima do registrado em 2018, segundo o Congressional Budget Office. A previsão é a de que supere US$ 1 trilhão em 2020 e cresça ao menos até 2023. Em maio, antes do recrudescimento da disputa com a China, as estimativas para 2019 e 2020 eram, respectivamente, déficits de US$ 896 bilhões e US$ 892 bilhões. Os chineses estão menos dispostos a financiar a dívida americana. Em 12 meses, venderam US$ 79 bilhões em papéis do Tesouro e passaram a ser o segundo maior credor, atrás do Japão.

Visão populista não unirá nenhum partido nos EUA

Entre republicanos, o apoio a políticas de linha-dura contra imigrantes foi mais decisivo para o voto em Donald Trump que a preocupação genérica com a situação econômica, afirmam pesquisadores das universidades de Indiana e de Chicago. Nenhuma das duas dimensões consideradas populistas afetou o voto democrata. É improvável que qualquer partido se una em torno de uma “visão populista unificada”, concluem em estudo apresentado na reunião da Associação Americana de Ciência Política (Apsa).

Orwell é vítima dos ‘fake books’ que previu

Nem George Orwell escapa de suas previsões. Como os livros no clássico 1984, seus romances viraram objeto, graças à publicação autônoma da Amazon, de edições falsificadas ou fraudes que alteram o conteúdo, revelou o jornalista David Streitfeld. “A reputação de Orwell pode estar garantida, mas suas frases não estão”, diz. A Amazon informou que proíbe falsificações e investe em tecnologias para detectar fraudes.

Filme revela ambiente machista da Fox News

A ansiedade cerca a estreia, em dezembro, de O Escândalo, filme de Jay Roach sobre a queda, em 2016, do todo-poderoso Roger Ailes, criador da Fox News e mentor do jornalismo partidário, de orientação conservadora, que projetou a rede à liderança nos EUA. Charlize Theron vive Megyn Kelly, e Nicole Kidman, Gretchen Carlson, primeira a acusar Ailes de assédio sexual (ele morreu um ano depois). O filme descreve o efeito, nas mulheres e homens da Fox, da crise que revelou o ambiente machista da empresa.

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