À sombra do G-8, Gênova se torna uma cidade-fantasma

As ruas estavam desertas, os cafés vazios, as lojas fechadas, muitas delas com grades de madeira colocadas diante das vitrines. Enquanto os portões de uma barreira de aço e concreto, que isola seu centro medieval, se fechavam nesta quarta, Gênova - normalmente uma movimentada cidade portuária - ia tornando-se cada vez mais parecida com uma cidade-fantasma, antes do início da reunião dos líderes dos países industrializados. Muito poucos genoveses passeavam pelas ruas do centro, onde dezenas de alamedas são calçadas de pedras. Está proibida a circulação de carros particulares dentro da chamada "zona vermelha", a área restrita contida num raio de cerca de 10 km em torno da baía e do Palazzo Ducale, agora sob a jurisdição do Grupo dos Oito, cuja reunião se inicia na próxima sexta-feira.Moradores jornalistas e delegados dos países participantes precisarão de um passe para terem acesso a esse distrito.Ao mesmo tempo, centenas de policiais foram distribuídos pela cidade para patrulhar as barreiras e as ruas centrais com seus veículos.Quando os líderes dos oito países - os 7 mais ricos e a Rússia - chegarem para o encontro, haverá 20.000 policiais nas ruas de Gênova, na maior operação de segurança desde a visita do papa João Paulo II à cidade, em 1985. Os tribunais estão fechados, e a maioria dos escritórios de advocacia dentro da área proibida também cerraram suas portas, alegando que seus clientes não teriam acesso a eles. As quatro lanchonetes da rede McDonald´s localizadas na zona central tmbém estão fechadas - já que a gigante do fast food tem sido alvo preferencial dos manifestantes antiglobalização - e uma associação de pequenas empresas calculou que apenas 25% das pequenas lojas da área ficarão de portas abertas.Muitas decidiram fechar depois que uma carta-bomba explodiu em Gênova na segunda-feira, ferindo um policial. Desde então, os policiais já investigaram dezenas de objetos suspeitos na cidade - todos alarmes falsos.Nesta quarta-feira, eles interceptaram um envelope com duas balas e a foto de um líder dos manifestantes que, segundo a agência italiana ANSA, havia sido endereçada ao prefeito de Gênova.

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