A Suazilândia contra o Rei

Polícia reprime manifestação que defendia o fim da monarquia, estabelecida há 38 anos

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2011 | 00h00

Um rei da África está ameaçado. As revoltas populares que causam um terremoto político na Tunísia, Egito e Líbia chegaram à Suazilândia, terra do último monarca absolutista do continente. Ontem, uma manifestação de 2 mil pessoas foi duramente reprimida na cidade de Manzini pelas forças de segurança e a ONU foi obrigada a pedir calma ao rei Mswati III .

Os manifestantes pediam o fim da monarquia estabelecida há 38 anos por Sobhuza II, que rasgou a Constituição, fechou todos os partidos e decidiu governar sozinho o miserável país. Hoje, o poder está nas mãos de Mswati III, seu filho.

Ontem, vários membros da oposição foram presos antes mesmo de a população ir às ruas. Professores, profissionais liberais, estudantes e membros da Igreja Católica participaram do ato. Jornalistas que tentavam cobrir o evento também foram "sequestrados". No meio do dia a cidade foi totalmente fechada pela polícia. Bombas de gás foram lançadas contra os manifestantes. A ONU e os EUA fizeram um apelo para que a violência seja contida.

Incrustado entre Moçambique e a África do Sul, a Suazilândia vive da coleta de impostos de importação, mas uma mudança no sistema comercial da região fez a renda do país desabar.

A situação transformou em um inferno a vida da população de 1,2 milhão de pessoas. Sessenta porcento dos habitantes vivem com menos de US$ 1 por dia.

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