A tragédia dos atentados explicada às crianças

Os EUA, ainda em estado de choque, enfrentam hoje a tarefa de tranqüilizar as crianças e protegê-las da terrível imagem de um avião que entra pelas janelas de suas próprias casas, enquanto as escolas estão fechadas em Nova York, Washington e outras regiões do país. Em muitos centros educacionais públicos e privados, reitores e docentes prepararam o caminho.Na Brearley School, um estabelecimento de ensino privado de Nova York, as alunas foram reunidas em assembléia ontem pela manhã, menos de uma hora após o ataque às Torres Gêmeas. "Dois aviões se espatifaram contra o World Trade Center. O conjunto está em chamas. Mas agora tudo terminou e as aulas continuam normalmente", disse a diretora, Priscilla Wynn Barlov, enquanto algumas meninas - principalmente as maiores - começavam a chorar.A mesma mensagem foi transmitida em cadeia aos educadores da "Big Apple", enquanto os psicólogos temem que a frágil estrutura psíquica das crianças possa ficar marcada para sempre pelo trauma, impedindo-as de retomarem às atividades normais. "O senso de segurança de todos, sobretudo o das crianças, foi abalado. Isso ativará a memória de traumas sofridos no passado, e para enfrentá-los é indispensável abrir um diálogo", disse o psicólogo infantil Donald Rosenblit.Na terça-feira, muitas crianças em Manhattan não conseguiram dormir. "Tenho medo de que um avião entre em minha casa", disse uma menina de seis anos que vive em um arranha-céu. Outra, hoje, não queria sair de casa: "Aqui me sinto segura". Algumas crianças, como os alunos das escolas públicas 86 e 166, viram com seus próprios olhos os aviões se enterrando nas Torres Gêmeas, presos na estrutura como moscas em uma teia de aranha."Não foi possível evitar que muitas crianças o vissem" disse o supervisor Angelo Gimondo. Quase todas as crianças dos Estados Unidos observaram as imagens transmitidas em um infinito replay pelas cadeias de televisão. "Limitem o acesso das crianças à televisão", apelam os psicólogos aos pais. Outro conselho: "Falem com eles com calma, mais de uma vez. Não finjam nada. Mas tentem tranqüilizá-las: digam-lhes que foi um acontecimento excepcional, e que agora tudo terminou".Em Queens, abriram-se ontem centros especiais para abrigar os filhos dos pais que trabalham em Manhattan e que não conseguiram chegar a tempo para buscá-los. Em outras escolas os pais foram autorizados a retirar seus filhos antes do fim do horário regulamentar das aulas. "Esperamos reabrir as escolas na quinta-feira", disse hoje o prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani. Para os pais e as crianças traumatizados, no entanto, o "amanhã" ainda está longe.

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