A última esperança dos belgas é a UE

A Bélgica se repartirá em duas, uma francófona e outra flamenga? É o que se teme depois da vitória nas eleições do partido N-VA, do líder Bart de Wever. Ontem, De Wever anunciou que quer "a evaporação" da Bélgica. Mas lenta, segundo ele.

Análise: Gilles Lapouge, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2010 | 00h00

A Bélgica é um país pequeno, com 10 milhões de habitantes, mas é muito importante pelo seu papel na Europa. Com França e Alemanha, ela esboçou, por volta de 1950, os primeiros planos de criação da União Europeia (UE). Bruxelas é a capital da Bélgica, mas também da UE. Uma eventual cisão do país seria um fracasso trágico, quase ridículo, do bloco. Como acreditar na vontade de união da Europa dos 27 países, se um de seus integrantes mais simbólicos explodir? Mas uma explosão parece impossível por causa precisamente da Europa.

Imaginemos que Flandres faça uma secessão, repudiando a monarquia belga e se tornando uma república. Será a "Bélgica francófona" e Bruxelas, sua capital, que conservarão o estatuto de Bélgica. Flandres, responsável pela cisão, teria de pedir reconhecimento da UE. Ora, é pouco provável que os membros da UE aprovem. A razão simples: são vários os Estados europeus que sofrem do mesmo mal. Quase por toda a parte (bascos e catalães, corsos, escoceses e irlandeses, italianos do norte, eslovacos), há o desejo, como em Flandres, de fazer o mesmo. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

É CORRESPONDENTE EM PARIS

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