AFP PHOTO / Raul ARBOLEDA
AFP PHOTO / Raul ARBOLEDA

A uma semana da eleição presidencial, esquerdista colombiano defende liberalismo em vídeo

Gustavo Petro divulgou propaganda na internet; candidato aparece com 40% das intenções de voto, atrás de Iván Duque, com 46%

O Estado de S.Paulo

11 Junho 2018 | 19h58

BOGOTÁ - A uma semana do segundo turno presidencial e precisando de votos para superar seu adversário Iván Duque - que aparece na frente nas pesquisas de intenção de voto - o candidato de esquerda colombiano, Gustavo Petro, publicou um vídeo defendendo o liberalismo. "Durante a campanha eleitoral, pude perceber a enorme vitalidade e força do liberalismo como um sistema de ideias na Colômbia", diz o candidato em um trecho.

O ex-guerrilheiro do Movimento 19 de Abril (M-19) concorre à presidência com o candidato de direita Duque, apadrinhado pelo ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010). Segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Datexco na sexta-feira, 8, Duque liderava com uma margem de seis pontos porcentuais, com 46,2% das intenções de voto. Petro aparece com 40,2%, mas se mantém líder na região costeira e em Bogotá, capital do país, onde foi prefeito entre os anos de 2012 e 2016.

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No vídeo, Petro, à frente do movimento Colombia Humana, cita figuras políticas colombianas relacionadas ao liberalismo, como Alfonso Lopez Pumarejo e Jorge Eliecer Gaitán, e afirma que sua proposta de governo é "profundamente liberal". "Nos últimos anos tenho defendido a paz, a inclusão de minorias, a independência da Justiça, e especialmente a construção de uma Colômbia onde todos queremos", diz.  

A ideia defendida por Petro dividiu opiniões. Na grade de comentários do YouTube, onde o vídeo foi replicado pelo canal Colombia Elige (Colômbia Elege), há quem apoie e quem estranhe a decisão do presidenciável de defender o liberalismo. Uma internauta, Yurany Barco, defende o candidato. "Petro é sem dúvida o melhor candidato que temos. Admiro seu caráter, sua inteligência, sua transparência", afirma. Juan David, por outro lado, não aprova a atitude do candidato esquerdista. "Não insista que os liberais não serão co-parceiros de seu socialismo", diz.

Para atrair adeptos do liberalismo, a campanha de Petro criou, no fim do mês de maio, um site intitulado "Los Liberales de verdad #SomosMás". O objetivo é unir deputados, conselheiros, prefeitos, diretores de partido e militantes que se considerem liberais para defender ideias e definir os passos após uma possível eleição do candidato.

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Apesar da declaração feita no vídeo, Petro é considerado uma grande força da esquerda colombiana, que pode chegar pela primeira vez à presidência do país. Entre os principais objetivos do seu governo estão manter o acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) - fechado em 2016 - e negociar com o Exército de Libertação Nacional (ELN) - atual maior grupo guerrilheiro do país -, além da superação da desigualdade. 

O ex-prefeito de Bogotá já possui alianças com partidos como o El Polo Democrático e Alianza Verde, que deixaram seus representantes em liberdade para apoiar Petro ou votar em branco. A Alianza Verde integrou a Coalizão Colômbia, que impulsionou a candidatura de centro do matemático Sergio Fajardo, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno. 

A missão de Petro até o domingo 17, quando ocorre o segundo turno, será conseguir os votos de Fajardo, do representante do Partido Liberal, Humberto De La Calle, ex-negociador do governo nas conversas com as Farc e que terminou em quinto lugar no primeiro turno, e dos eleitores que votaram em branco. Petro recebeu 25%, cerca de 4,8 milhões de votos, no primeiro turno. / EFE

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