A vacina dos EUA contra Bin Laden

CIA montou campanha médica de fachada

, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2011 | 00h00

Meses antes da morte de Osama bin Laden, a CIA conduziu no Paquistão um programa de vacinação falso para obter provas de DNA de integrantes da família do líder da Al-Qaeda que viviam no famoso complexo de Abbottabad. A informação foi revelada por um funcionário americano, em condição de anonimato.

O programa de vacinação foi um dos capítulos do jogo de espionagem que se desenrolou durante os meses que antecederam a operação contra Bin Laden, em maio. E a encenação também contribuiu para agravar as tensões entre EUA e Paquistão.

A operação médica de fachada foi realizada por um médico paquistanês, Shaki Afridi, preso posteriormente por espiões paquistaneses por sua suposta colaboração com os americanos. Afridi continua detido no Paquistão.

A obtenção de provas de DNA das pessoas escondidas no complexo de Abbottabad constituiria um golpe significativo, pois permitiria que a CIA comparasse as amostras com o DNA de outros membros da família Bin Laden "fichados" pela CIA.

Se o resultado desse positivo, seria a primeira prova contundente do paradeiro do líder terrorista.

O funcionário americano disse que o médico conseguiu ter acesso temporário ao complexo, mas nunca viu Bin Laden e não conseguiu obter as amostras de sangue de integrantes da família dele.

Não está claro ainda como a CIA contratou Afridi. Segundo o jornal britânico The Guardian, ele usou uma equipe de enfermeiros e funcionários da área de saúde para administrar vacinas contra a hepatite B em toda cidade. Para não chamar atenção, a campanha teria começado na periferia de Abbottabad.

A agência paquistanesa de contraespionagem prendeu várias pessoas suspeitas de colaborar com a CIA na região. / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA, NYT

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