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A vantagem de Biden

Pesquisas eleitorais de 'The New York Times', CNN e Ipsos indicam candidato democrata à frente em diferentes cenários

Lourival Sant'Anna*, O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2020 | 05h00

Mais de 7 milhões de eleitores americanos já depositaram seu voto. Se a composição do eleitorado que está votando até o dia 3 for parecida com a dos entrevistados nas pesquisas de intenção de voto, Joe Biden terá vitória tão contundente no colégio eleitoral que deixará pouca margem para contestação.

Os institutos de pesquisas afirmam ter corrigido os erros cometidos em 2016. Eles acertaram no resultado nacional, ao prever a vitória de Hillary Clinton, mas erraram nos Estados, que definem a eleição dos delegados ao colégio eleitoral proporcional à população de cada um.

Clifford Young, presidente nos EUA do Ipsos, um dos maiores institutos de pesquisas do mundo, me disse que, em 2016, faltaram investimentos para entrevistar eleitores da zona rural, que em vários condados foram decisivos na vitória de Trump. Ele afirma que neste ano está sendo dada a devida atenção a eles.

A divisão de estatísticas do New York Times calcula que, mesmo que as pesquisas estaduais deste ano estejam tão distorcidas quanto em 2016, ainda assim Biden obteria 319 cadeiras no colégio eleitoral, e Trump, 219. São necessárias 270 para se eleger. 

Considerando apenas os Estados nos quais um candidato tem 3 pontos porcentuais de vantagem sobre o outro, Biden teria 341 delegados e Trump, 125. De acordo com a CNN, os Estados que estão solidamente no campo de Biden somam 203 cadeiras e aqueles que se inclinam para ele são mais 87, totalizando 290. Trump tem 163. 

Segundo modelo matemático da revista The Economist, Biden teria 350 votos no colégio eleitoral e Trump, 188. A chance de o candidato democrata vencer é de 92%, calcula a revista; a de o partido continuar com maioria na Câmara é de 99% e a de conquistá-la no Senado, 70%. 

O modelo diz que os democratas devem ficar com 220 a 263 deputados, ou seja, acima da maioria de 218, e 47 a 57 senadores, sendo a média das projeções de 51,8. A maioria se forma com 51 e o vice-presidente, que preside o Senado, pode desempatar as votações. 

Esses dados são importantes para definir o alcance da atuação do eventual governo Biden. A Câmara detém a prerrogativa de abrir processo de impeachment e o Senado, de julgá-lo. 

Além disso, é o Senado que aprova a nomeação tanto de secretários quanto de juízes da Suprema Corte. Dos três juízes com 70 anos ou mais, o mais velho, Stephen Breyer, de 82 anos, é liberal. Clarence Thomas, de 72, e Samuel Alito, de 70, são conservadores. 

Se Trump conseguir preencher a vaga da juíza liberal Ruth Bader Ginsburg com a conservadora Amy Coney Barrett, a Corte ficará com 6 conservadores e 3 liberais. O presidente, John Roberts, é considerado conservador mas oscila nas votações, tendo apoiado os liberais em duas decisões recentes sobre o direito ao aborto na Louisiana e dos imigrantes que chegaram ilegalmente quando menores de idade.

Trump festejou, na sexta-feira, com razão, o resultado de pesquisa do Instituto Gallup, na qual 56% dos americanos se consideram em melhor situação do que em 2016, enquanto 32% se dizem em pior condição. Entretanto, a pesquisa foi realizada entre os dias 14 e 29 de setembro – antes de expirar, no fim do mês, a ajuda federal de US$ 600 por semana para os desempregados e necessitados, além do estímulo a empresas. 

Com essa ajuda, os americanos de mais baixa renda passaram a ganhar mais do que quando estavam empregados, já que o salário mínimo de US$ 7,25, por exemplo, rende US$ 290 para uma jornada de 8 horas e 5 dias por semana. Além disso, entre os mesmos entrevistados, 44% aprovam seu governo e 41% veem o presidente de forma favorável. Significa que mesmo uma parte dos americanos que reconhecem que sua vida melhorou reprova o governo e, principalmente, Trump.

* É COLUNISTA DO ‘ESTADÃO’ E ANALISTA DE ASSUNTOS INTERNACIONAIS

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