Carla Aranha / Estadão
Carla Aranha / Estadão
Imagem Helio Gurovitz
Colunista
Helio Gurovitz
Conteúdo Exclusivo para Assinante

A velha ameaça do Estado Islâmico em 2018

Grupo jihadista decidiu abandonar suas posições na fronteira sírio-iraquiana para retomar tática de guerrilha

O Estado de S.Paulo

31 Dezembro 2017 | 05h30

O ano de 2017 termina com uma notícia auspiciosa: Síria e Iraque anunciaram a desintegração do Estado Islâmico (EI) e a retomada de 98% do território controlado pelo grupo terrorista. Mas ainda não dá para comemorar. A ameaça do EI continua viva, apenas mudou de forma. “Os EUA e seus aliados venceram a guerra que começou em 2014, não a que começou antes”, afirma o analista Hassan Hassan na última edição da Sentinel, publicação do Centro para Combate ao Terrorismo (CTC).

O fim do grupo terrorista na região já foi decretado pelo Ocidente ao menos duas vezes, em 2009 e 2013. Em ambas, ele voltou a atacar após um recuo estratégico para recompor suas forças. Mudou de nome e de tática, mas não desapareceu. De acordo com Hassan, a dinâmica se repete agora. Após perder Mossul, em julho, o próprio EI decidiu abandonar suas posições na fronteira sírio-iraquiana, para retomar a tática de guerrilha.

“O grupo emergiu de uma insurgência para se tornar um proto-Estado. Agora, simplesmente voltou ao que conhece melhor”, afirmou Shiraz Maher, do King’s College, em conferência no Instituto Real para Serviços Unidos (Rusi), em Londres.

O americano Peter Vincent, ex-analista do Departamento de Segurança Interna, comparou o EI a um “gato acuado” que atacará indiscriminadamente para se salvar. Para Vincent, vencer o EI ainda levará anos e custará várias vidas.

- Retorno dos recrutas preocupa Europa

Na Europa, a maior ameaça não são os imigrantes, mas os recrutas do EI voltando para casa - em torno de 30% dos 6 mil cidadãos europeus que partiram para temporadas no pseudo-califado do grupo. Nos mais de 40 ataques na União Europeia (UE) desde 2014 - entre eles, os de Paris, Bruxelas, Estocolmo, Berlim, Barcelona, Londres e Manchester -, dois terços das mortes foram provocadas por jihadistas que retornaram da Síria e do Iraque. A perda de território deixará de atrair novos recrutas para lá, mas o EI ainda dispõe de bases no Iêmen, Chade, Mali e Filipinas - e um pequeno número de terroristas causa grande estrago.

- Crime continua em queda em Nova York

Há 27 anos consecutivos, a criminalidade cai em Nova York. Até a semana passada, 2017 registrara apenas 286 assassinatos e 94.806 ocorrências criminosas na cidade. São os menores índices desde os anos 1950, quando dados começaram a ser compilados.

- Mais um chef desiste do Michelin

O chef Jérôme Brochot, de Montceau-les-Mines, na Borgonha, recusou a estrela que o guia Michelin lhe confere desde 2005 e estreou um cardápio mais simples. Sua justificativa ao Michelin: “A situação econômica da antiga área de mineração em que estou instalado é catastrófica. Não é mais possível, na falta de clientela suficiente, manter um estabelecimento como o meu.”

- Fracasso no combate à ‘fake news’

Fracassou a primeira tentativa do Facebook de controlar a disseminação de notícias falsas. “Pôr uma imagem forte, como uma bandeira vermelha ao lado de um artigo, pode, na verdade, ter efeito oposto ao que desejávamos”, informou a empresa. Estudos revelam que os usuários clicam e compartilham ainda mais conteúdos identificados como falsos. O Facebook agora reduzirá a exposição desses conteúdos suspeitos sem informar - como já faz com tudo aquilo que quer esconder por outras razões.

- Twitter e Facebook poderão sofrer sanções

Facebook e Twitter sofrerão sanções no Reino Unido se continuarem a ignorar o inquérito parlamentar que apura a interferência russa no referendo do Brexit. Receberam um ultimato de Damian Collins, responsável pela investigação, para prestar as informações exigidas até 18 de janeiro. Na Alemanha, o Facebook é acusado de violar as leis de privacidade, por reunir dados dos usuário de WhatsApp e Instagram.

- Um liberal contra o monopólio digital

Os monopólios digitais ganharam um inimigo de peso também nos Estados Unidos: o economista Luigi Zingales, um liberal convicto, crítico do estatismo e defensor ferrenho da livre competição. “O maior surto de inovação neste país está associado à intervenção antitruste”, disse Zingales em debate no American Enterprise Institute. “Para abrir espaço para novas startups, alguma intervenção é necessária.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.