Frederic J. Brown/ AFP
Frederic J. Brown/ AFP

A vida americana começa a voltar ao normal, mesmo que alguns temam que seja cedo demais

Com 50 milhões de vacinados e imunização caminhando rápido, muito americanos retomaram o dia a dia

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2021 | 10h00

Dezenas de milhares de alunos entraram nas salas de aula das escolas públicas de Chicago na segunda-feira pela primeira vez em quase um ano. Os restaurantes em Massachusetts foram autorizados a operar sem limites de capacidade, e locais como rinques de patinação e cinemas na maior parte do Estado abriram com menos restrições. E a Carolina do Sul colocou fim a seus limites para grandes reuniões.

Em vários lugares dos Estados Unidos, o primeiro dia de março trouxe uma onda de reaberturas e levantamentos de restrições à pandemia, sinais de que mais americanos estavam emergindo provisoriamente de meses de isolamento, mesmo que nem todos concordem que o momento é oportuno.

Há muitos motivos para otimismo: as vacinações aumentaram significativamente nas últimas semanas, chegando a dois milhões por dia e um total de quase 51 milhões de vacinados, e os relatos diários de novos casos de coronavírus caíram nos Estados Unidos em relação aos picos de janeiro.

Em Kentucky, quase todos os distritos escolares estão oferecendo aulas presenciais, enquanto o Estado corre para vacinar os professores o mais rápido possível. O governador Andy Beshear disse a repórteres na semana passada que as estatísticas de infecção decrescentes do Estado mostraram que as imunizações estavam começando a ter um impacto.

"Significa que a vacinação funciona", disse ele. "Já estamos vendo isso. Estamos vendo isso nesses números. É um sinal muito positivo."

O infectologista Anthony Fauci, conselheiro médico-chefe do presidente Joe Biden para o combate à covid-19, disse em uma coletiva de imprensa na segunda-feira que, para pequenos grupos de pessoas que foram totalmente vacinadas, o risco de se reunir em casa é baixo. As atividades além disso, disse ele, dependeriam de dados, modelagem e "bom senso clínico comum", acrescentando que os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) logo teriam orientações sobre o que as pessoas vacinadas poderiam fazer com segurança.

Os sinais positivos vêm com advertências. Embora as estatísticas nacionais tenham melhorado drasticamente desde janeiro, elas se estabilizaram na última semana, e os Estados Unidos ainda estão relatando mais de 65.000 novos casos por dia em média - comparável ao pico do verão passado no hemisfério norte, de acordo com um banco de dados do The New York Times. O país ainda tem uma média de 2.000 mortes por dia, embora as mortes sejam um indicador atrasado porque os pacientes podem levar semanas para morrer.

Variantes mais contagiosas do vírus estão circulando no país, com potencial para aumentar novamente a contagem de casos. Os testes caíram 30% nas últimas semanas, deixando os especialistas preocupados com a rapidez com que novos surtos serão conhecidos. E milhões de americanos ainda estão esperando para serem vacinados.

Diante de tudo isso, alguns especialistas temem que as reaberturas cheguem um pouco mais cedo. "Esperamos estar entre o que espero que seja a última grande onda e o início do período em que espero que  covid se torne muito incomum", disse Robert Horsburgh, epidemiologista da Escola de Saúde Pública da Universidade de Boston. "Mas não sabemos disso. Tenho defendido que devemos apenas aguentar firme por mais quatro a seis semanas."

A diretora do CDC, Rochelle Walensky, disse no briefing na segunda-feira que estava "muito preocupada" com a reversão das restrições em alguns Estados. Ela advertiu que, com o declínio nos casos "estagnando" e com as variantes se espalhando, "podemos perder completamente o terreno conquistado com tanto esforço".

E os níveis de casos no atual patamar "devem ser levados extremamente a sério", alertou Walensky em um briefing na semana passada. Ela acrescentou: "Eu sei que as pessoas estão cansadas; eles querem voltar à vida, ao normal. Mas ainda não chegamos lá."

Depois que alguns condados no estado de Washington permitiram a reabertura dos cinemas, Nick Butcher, 36, compensou o tempo perdido assistindo às exibições da trilogia "O Senhor dos Anéis" por três noites seguidas. Ele comprou alguns M & Ms no estande de concessão, sentou-se distante dos outros na plateia e disse que sentiu como se as coisas estivessem quase de volta ao normal.

"Na verdade, estou ficando otimista, no geral", disse Butcher, um engenheiro de software da Microsoft que se recuperou recentemente de um caso de covid-19, assim como vários parentes. "Esta semana é uma das primeiras vezes que fui ao meu escritório quase desde o início da pandemia."

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