A vida é curta para tantos e-mails

Segundo estudo, as pessoas que não costumam olhar regularmente a caixa de correio são menos estressadas

Nick Bilton, The New York Times, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2012 | 03h02

Pensar na minha caixa de entrada de e-mails me deixa triste. Somente este mês, recebi mais de 6 mil e-mails. Isso sem falar nos spams, notificações ou promoções diárias. Com todas essas mensagens, não tenho a menor vontade de responder nem mesmo a uma fração delas.

Fico imaginando a lápide sobre meu túmulo: Aqui jaz Nick Bilton, que respondia a milhares de e-mails por mês. Descanse em paz. Não que eu seja uma figura tão popular.

No ano passado, a Royal Pingdom, que monitora o uso da internet, informou que, em 2010, foram enviados 107 trilhões de mensagens eletrônicas. Segundo um relatório divulgado este ano, em 2011 havia 3,1 bilhões de contas de e-mails ativas no mundo.

O relatório observou que, em média, funcionários de empresas enviam e recebem 105 e-mails por dia.

Evidentemente, alguns são importantes. Mas 105 por dia? Tudo isso me levou a achar que há alguma coisa muito errada com as mensagens eletrônicas. E não acredito que haja conserto para essa situação.

Tentei de tudo. Mensagens de alta prioridade, filtros, mais filtros, filtros dentro de filtros, respostas automáticas, ferramentas de e-mails de terceiros. Nenhuma dessas supostas soluções funciona.

No ano passado, resolvi tentar usar a Caixa de Entrada Zerada, o estado mental quase zen de uma caixa de entrada totalmente vazia.

Uma noite, passei um número incalculável de horas respondendo a mensagens que negligenciara. Na manhã seguinte, quando acordei, descobri que a maior parte das minhas respostas tinha recebido resposta e, portanto, mais uma vez, minha caixa de entrada estava repleta. Parecia uma grande piada.

Além do que, todos esses e-mails aumentam com certeza nosso estresse.

O relatório de uma pesquisa divulgado este ano pela Universidade da Califórnia, em Irvine, mostrou que as pessoas que não costumam olhar regularmente os e-mails no trabalho estão menos estressadas e são mais produtivas do que as outras.

Descontrole. A professora de informática Gloria Mark que estuda os efeitos dos e-mails e das multitarefas no horário do trabalho, e é coautora do estudo, contou: "Uma pessoa que participou do nosso estudo sobre e-mails disse depois: 'Deixei que o som da campainha e os pop-ups governassem a minha vida' ".

Gloria diz que um dos principais problemas dos e-mails é que não existe uma tecla que permita desligá-los.

"O e-mail é uma tecnologia assíncrona, portanto as pessoas não precisam estar ligadas para receber uma mensagem", afirmou. "As tecnologias síncronas, como o mensageiro instantâneo, dependem da presença das pessoas." Embora algumas permitam que seus serviços de mensageiro instantâneo guardem mensagens offline, a maioria não consegue receber mensagens se não estiver logada. No caso do e-mail, é diferente. Se a pessoa sai, os e-mails começam a se empilhar à espera do seu regresso.

Evitar novas mensagens é tão impossível quanto tentar brincar de esconde- esconde em um apartamento-estúdio em Nova York. Não há onde se esconder.

Recentemente enviei um e-mail para uma prima adolescente que respondeu com uma mensagem de texto. Respondi a ela com um e-mail e, desta vez, ela respondeu com o Facebook Messenger. Obviamente ela estava olhando os e-mails, mas procurava a maneira mais concisa de responder. Nossa conversação passou para as mensagens diretas do Twitter, onde acabou rapidamente pelo limite de 140 caracteres.

Posteriormente, conversamos sobre nosso bate-papo e ela explicou que achava os e-mails coisa para gente "velha". Para ela são muito lentos e as mensagens são longas demais. Às vezes, ela disse, como ocorre com a atualização de status no Facebook, você nem precisa responder.

Como a tecnologia não resolveu o problema que criou com o e-mail, é possível que algum jovem apareça com sua própria resposta - não usar e-mail de modo nenhum. Portanto, estou aproveitando a dica.

Vou olhar os e-mails à medida que chegarem. Talvez responda com um texto, pelo Google Chat, ou uma mensagem no Twitter ou no Facebook. Mas existe a possibilidade, como acontece com muitas mensagens enviadas via Facebook ou Twitter, de eu não precisar absolutamente responder. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

*É COLUNISTA DE TECNOLOGIA, NICK, BILTON, THE NEW YORK TIMES

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