EFE/Hannah Mckay
EFE/Hannah Mckay

A viúva-negra que desafiou o sistema britânico

Empresária Gina Miller virou heroína dos ativistas que se opõem à saída; brasileiro tomou ação similar após apoiar Brexit;

O Estado de S. Paulo

04 de novembro de 2016 | 05h00

Gina Miller. Esse é o nome da executiva que entrou com a ação na Alta Corte de Justiça britânica e tirou da premiê Theresa May a prerrogativa de acionar o Brexit sem autorização do Parlamento. Imediatamente, Gina virou heroína dos ativistas que se opõem à saída da Grã-Bretanha da União Europeia. 

O nome da empresária, de 51 anos, foi um dos mais citados ontem nas redes sociais do reino. “Fiquei muito mal na manhã seguinte ao plebiscito”, disse a executiva, em referência à votação de junho, quando o Brexit venceu por 52% a 48% dos votos. “Mas os dias foram passando e percebi que não poderia ficar olhando para trás. Tinha de tomar uma atitude.” 

Ela recorreu ao Judiciário. Em declaração lida ontem, diante da Alta Corte, fez um apelo para que o governo de May não recorra. Gina é uma das fundadoras da empresa SCM Private e da campanha por mais transparência no setor financeiro. Em entrevista no início do ano para o Financial Times, ela falou sobre uma discussão que teve com três homens em uma festa. 

“Não paravam de me olhar. Fui até eles, me apresentei e perguntei qual era o problema. Um deles disse que eu era uma vergonha, que meu trabalho acabaria arruinando a City”. Segundo Gina, foi quando ela soube que as pessoas a haviam apelidado de “Viúva-negra”, aranha que se alimenta do macho após copular.

Deir dos Santos, o cabeleireiro nascido no Brasil que assumiu papel secundário na ação, evitou a exposição diante dos jornalistas. Em nota lida por seu advogado, ele disse que votou pelo Brexit, mas considera que a saída do bloco não pode ser consumada sem que o Parlamento dê seu aval. Ele disse ter recorrido à Justiça quatro dias depois do plebiscito. “Eu não acho que foi certo o governo tentar tirar meus direitos sem consultar o Parlamento primeiro. Agradeço à Corte pela decisão.” / WASHINGTON POST

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