A volta da aposta na redução do arsenal atômico

Análise: David Sanger / NYT

O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2013 | 02h03

Barack Obama usará seu discurso sobre o Estado da União para retomar um dos seus objetivos emblemático no campo da segurança nacional: a redução drástica dos arsenais atômicos em todo o mundo - depois de conseguir um acordo com o Exército para uma redução em um terço da força nuclear americana.

Segundo funcionários do governo, Obama não vai se ater a dados específicos no discurso, mas a Casa Branca já vem estudando um corte que reduziria o arsenal de armas instaladas para pouco mais de mil. Atualmente são 1.700 e o novo tratado de redução de armas estratégicas firmado com a Rússia e aprovado pelo Senado no fim de 2009 estabelece o limite de aproximadamente 1.550 em 2018.

"Obama acha que podemos reduzir ainda mais o arsenal e fazer uma grande economia sem comprometer a segurança nacional, neste segundo mandato. E os comandantes do Estado-Maior Conjunto ratificaram o princípio", diz uma fonte do governo.

A grande questão é como efetuar a redução considerando que os republicanos do Senado se opõem até mesmo aos cortes modestos contemplados no novo tratado de redução de armamentos, o New Start. A Casa Branca reluta em negociar um acordo inteiramente novo com a Rússia, já que isso pode acarretar exigências dos russos no sentido de restrições aos sistemas de defesa contra mísseis dos EUA e da Otan na Europa, além de reiniciar uma acirrada disputa com os senadores republicanos para essa ratificação.

Em vez disto, Obama estuda de que maneira firmar um acordo informal com o presidente Vladimir Putin no sentido de cortes recíprocos na estrutura do New Start - mas sem necessidade de uma ratificação.

Mesmo retomando um tema da sua agenda que pareceu quase moribundo durante dois anos, Obama deve também se referir a novas ameaças.

Nos próximos dias, o presidente planeja emitir um decreto presidencial há muito tempo aguardado sobre o combate aos ataques cibernéticos contra empresas, instituições financeiras dos EUA, e também contra uma infraestrutura considerada crucial que é a rede elétrica. O anúncio será feito no momento em que se intensificam ataques da China e mais recentemente do Irã.

O plano de redução do armamento nuclear vem sendo debatido no governo há dois anos e as opções já estão na mesa do presidente há meses. Mas o documento não foi tocado durante a eleição. O presidente quis evitar levantar o assunto e provocar um debate com Mitt Romney, que declarou que a Rússia é hoje o "inimigo geoestratégico número um dos EUA", comentário do qual Obama mais tarde escarneceu, afirmando que Romney não conseguiu ir além da Guerra Fria.

Não se sabe com clareza de quanto será a economia com o plano de redução do armamento nuclear; isso depende, em parte, da maneira como os cortes serão realizados entre os elementos que formam a "tríade" nuclear: mísseis em terra, instalados em submarinos nucleares e bombardeiros nucleares.

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