A volta de 'Il Cavaliere'

A queda de Mario Monti, "Il Professore", a dois meses das eleições legislativas na Itália são um cálculo político preciso do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, "Il Cavaliere". Líder informal do Partido da Liberdade (PDL), o empresário tenta o seu retorno à vida pública após 13 meses de afastamento. Para tanto, tentou derrubar o rival de centro-direita, um homem valorizado pela comunidade internacional e ainda dono de razoável capital político na opinião pública.

O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2012 | 02h02

O premiê demissionário, por sua vez, caiu como governou - transparecendo dignidade e cuidado com os interesses da Itália. Não à toa, a decisão foi informada depois das 18 horas de uma sexta-feira, véspera de feriados de fim de ano. Nesse período, os mercados financeiros ficarão fechados ou funcionarão em regime parcial.

Na semana passada, Monti já preparava o terreno para a demissão, tranquilizando os investidores: "Os mercados não devem temer um vazio de decisões", disse ele. "Eu acredito que as reações serão comedidas."

A preocupação com os investidores se justifica. Desde que assumiu, Monti lançou uma série de reformas econômicas na Itália, quebrando décadas de imobilismo. Somadas às medidas de austeridade fiscal, a liberalização dos mercados internos, incluindo o de trabalho, lhe custaram boa parte de sua popularidade interna. Ainda assim, Monti é visto na Europa como um dos salvadores da zona do euro. Seu governo à frente da terceira maior economia da moeda única foi decisiva para controlar o risco-país e evitar a explosão da crise das dívidas soberanas em Roma e Milão - cenário que poderia representar a sentença de morte do euro. / A.N.

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