Abaixo-assinado na China pede libertação de ativista cego

Simpatizantes de um ativista cego se indignaram com a situação de confinamento a que ele estava sujeito em seu vilarejo no leste da China, e assinaram uma petição destinada às autoridades de Pequim nesta terça-feira, depois de alguns terem afirmado que foram agredidos ao tentar visitá-lo.

CHRIS BUCKLEY E SUI-LEE WEE, REUTERS

01 de novembro de 2011 | 10h14

Nos últimos meses, dezenas de simpatizantes foram impedidos de visitar Chen Guangcheng, atualmente em prisão domiciliar em sua casa em Linyi, no leste da China.

Chen, de 39 anos, contornou a cegueira que enfrenta desde a infância para se tornar autodidata em direito e ajudar moradores que têm reclamações relacionadas às apropriações de terra, abortos forçados e outros abusos do governo. Seu confinamento tem atraído a atenção internacional para os controles repressivos exercidos na China.

Em 2006, Chen foi condenado a mais de 4 anos de prisão por acusações -- veementemente negadas por sua mulher e seus advogados -- de agressão contra uma multidão, distúrbios no trânsito e danos a propriedades.

Ele foi libertado em 2010, mas está em prisão domiciliar desde setembro do ano passado. Chen e sua mulher sofreram "espancamento brutal durante quatro horas" por autoridades locais em julho, segundo o grupo de defesa de direitos humanos norte-americano ChinaAid, na semana passada, que citou fontes não identificadas.

Alguns dos simpatizantes foram agredidos por dezenas de homens em trajes civis ao tentar visitar Chen no domingo, e suas queixas foram ignoradas posteriormente pela polícia local, disse Mao Hengfeng, uma das assinantes da petição, de Xangai.

Ela disse que o grupo de pessoas que assinaram a queixa então foram ao Ministério de Segurança Pública, em Pequim, mas não ficou claro se as autoridades aceitaram o abaixo-assinado, que expressava preocupações com o tratamento dado a Chen.

"Fomos atacados violentamente e empurrados, e alguns de nós ficaram feridos, mas a polícia não levantou um dedo, e ignorou nossas reclamações", disse Mao à Reuters sobre a repressão do final de semana em Linyi.

"Agora queremos que o Ministério de Segurança Pública faça alguma coisa sobre Linyi -- um lugar sem lei ou direitos."

Trinta e três pessoas que tentaram visitar Chen em Linyi foram agredidas por cerca de 100 indivíduos não-identificados no domingo, disse na segunda-feira o grupo defensor de direitos humanos Human Rights In China, sediado em Nova York.

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