Claudio Onorati/ EFE
Claudio Onorati/ EFE

Abandonado por aliados, Berlusconi recua em plano de dissolver governo

Depois de ordenar retirada dos ministros de seu partido do governo de Enrico Letta e provocar a votação de uma moção de confiança, ex-primeiro-ministro deixa isolamento e apoia o atual gabinete

Italia; Berlusconi, O Estado de S. Paulo

02 de outubro de 2013 | 22h54

ROMA - Num movimento surpreendente, o ex-premiê italiano Silvio Berlusconi subiu nesta quarta-feira, 2, à tribuna do Senado para anunciar a adesão de seu partido, o Povo da Liberdade (PDL), à moção de confiança obtida pelo primeiro-ministro Enrico Letta. A decisão foi uma reviravolta no cenário político italiano, uma vez que o próprio Berlusconi precipitou a votação ao determinar a saída dos ministros do PDL da coalizão de Letta.

Com o apoio do PDL, Letta conseguiu facilmente sair vitorioso da sessão. Dos 315 senadores, 235 votaram com o governo, que esteve a ponto de cair no fim de semana, justamente em razão da decisão de Berlusconi de retirar o apoio de seu partido da coalizão governista.

"Depois de um complicado debate interno, decidimos votar a favor da moção de confiança", disse Berlusconi no Senado. "A Itália precisa de um governo que faça as reformas. Fizemos tudo que podíamos ter feito e ainda temos esperança de mudar o clima de guerra fria civil que se vive no país."

A frágil coalizão chefiada pelo Partido Democrático, de centro-esquerda, só foi possível graças ao apoio de Berlusconi, ícone da direita italiana, depois de nenhum partido ter obtido maioria suficiente para governar sozinho nas eleições de fevereiro.

A decisão do ex-primeiro-ministro da semana passada, no entanto, ameaçava lançar o país em uma nova crise política, cinco meses depois do acordo que permitiu a formação do governo liderado por Letta.

Em retaliação a uma votação de impeachment no Senado que pode cassar seus direitos políticos depois de uma condenação por fraude fiscal na Justiça italiana, Berlusconi anunciou que os ministros do PDL deixariam a coalizão.

A vendetta do "Cavaliere" começou a dar errado quando uma facção do partido, liderada por seu herdeiro político, Angelo Alfano, prometeu apoiar Letta à revelia da determinação do ex-premiê. Analistas políticos dizem que Berlusconi mudou de ideia na última hora para evitar uma histórica derrota política.

Criação de empregos. Antes da votação, Letta discursou em defesa de seu governo. O premiê destacou seus sucessos durante os cinco meses de governo e delineou sua agenda para fortalecer a economia italiana e criar empregos."Nos deem a confiança de vocês para realizarmos esses objetivos. Nos deem confiança para tudo que foi alcançado", disse Letta. "Um voto de negativo não irá contra alguém, e sim conta a Itália e os italianos."

O premiê, que assumiu no fim de abril após a eleição de fevereiro, disse que seguirá adiante com um programa de medidas fiscais para manter as depauperadas finanças públicas italianas sob controle e reformas para controlar a pior recessão em 60 anos.Ele também se comprometeu com uma reforma da amplamente criticada lei eleitoral, que dá às duas casas do Parlamento poderes iguais e torna difícil para qualquer partido obter uma maioria funcional.

O mercado financeiro reagiu positivamente à sobrevivência da coalizão. As ações da Bolsa de Milão subiram quase 2% e os ganhos nos títulos de dez anos do governo italiano caíram para 4,34%.

Se perder a imunidade parlamentar, Berlusconi pode ser preso. Ele responde ainda a mais dois processos criminais, um por corrupção e outro por obstrução à Justiça e prostituição de menores. / NYT e REUTERS

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