Ritzau Scanpix/REUTERS
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Abate de visons ameaça água da Dinamarca

Cerca de 17 milhões de animais foram sacrificados após autoridades encontrarem cepas mutantes de coronavírus em fazendas de criação

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2020 | 18h54

COPENHAGUE - Milhões de visons infectados com coronavírus, sacrificados e enterrados na Dinamarca, podem ter contaminado os lençóis freáticos e afetado a qualidade da água, de acordo com uma reportagem da Radio4, que teve acesso a um relatório do governo. 

No início de novembro, foram sacrificados cerca de 17 milhões de animais depois de surtos de um tipo de coronavírus em centenas de fazendas. As autoridades dinamarquesas encontraram nesses animais variedades em mutação que poderiam prejudicar a eficácia de vacinas e representar um risco ao controle da pandemia. 

Uma parte dos animais foi enterrada em valas em uma região militar, perto de Holstebro, no oeste do país, a uma profundidade de 2 metros. No entanto, vários visons ressurgiram em razão dos efeitos dos gases de decomposição. O relatório, que também foi obtido pela agência Reuters, foi encomendado pela Agência de Proteção Ambiental, no final de novembro, e foi preparado pelo serviço geológico do país em parceria com a Universidade Técnica da Dinamarca. O estudo diz que a água subterrânea na área pode ter sido contaminada e pede uma ação das autoridades.

“É a água subterrânea logo abaixo das sepulturas que está em perigo iminente de ser contaminada”, disse o chefe do departamento da Agência de Proteção Ambiental, Per Schriver. Ele garante que as covas não foram cavadas acima de reservatórios e estavam localizadas longe dos lençóis freáticos. No entanto, as águas subterrâneas contaminadas, segundo Schriver, podem migrar para riachos ou lagos, causando um desastre ambiental.

Os animais teriam sido enterrados a 200 metros de um lago, levantando preocupações sobre problemas de poluição por fósforo e nitrogênio. A agência está fazendo mais análises para avaliar o impacto das valas com os visons contaminados. Os resultados finais devem ser divulgados apenas em 2021. 

Antes de enterrar os animais, as autoridades dinamarquesas haviam garantido que não haveria risco de contaminação da água potável ou de regiões protegidas. O local das valas é fortemente vigiado para evitar a presença de pessoas e de animais. Os moradores de regiões próximas, no entanto, reclamam da decisão de enterrar os visons e estão preocupados com possíveis riscos. “O Estado está brincando com a nossa natureza e a usa como um aterro sanitário”, lamentou Leif Brogger, um conselheiro municipal de Holstebro, citado pelo jornal Jyllands-Posten.

Com três vezes mais visons do que habitantes, a Dinamarca é o maior exportador mundial e o segundo maior produtor do animal, cuja criação supre o mercado de peles – o setor representa um faturamento de € 670 milhões de euros (pouco mais de R$ 4 bilhões). 

A decisão de sacrificar os animais levou à queda do ministro da Agricultura, Mogens Jensen. A demissão ocorreu 15 dias depois que a primeira-ministra, Mette Frederiksen, mandou abater os 17 milhões de visons. Na ocasião, ela alegou que a resposta era “necessária”. / REUTERS

 

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