Abbas admite reaproximação se Hamas ceder Gaza

Em visita a Moscou, presidente da AP afirma que mediação internacional seria bem-vinda

REUTERS, ASSOCIATED PRESS E EFE, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2031 | 00h00

Moscou - O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, disse ontem que receberia bem qualquer iniciativa para uma reaproximação com o Hamas se o grupo radical islâmico abrisse mão do controle da Faixa de Gaza. "Qualquer lado que quiser desempenhar um papel (de mediador) é bem-vindo, sejam nossos amigos russos ou nossos irmãos árabes", disse Abbas à TV Al-Arabiya, de Dubai, durante visita a Moscou. "Mas, se formos iniciar um diálogo com o Hamas para acabar com as divergências, eles têm de encerrar todas as causas e conseqüências das medidas golpistas que adotaram contra a autoridade legítima", disse. O contexto de suas declarações não foi esclarecido pela Al-Arabiya. O Hamas tomou o controle da Faixa de Gaza em 14 de junho, após violentos confrontos com as forças de segurança ligadas à facção Fatah, de Abbas, que dias depois dissolveu o governo de união com o movimento islâmico. Durante sua visita a Moscou, Abbas recebeu ontem um grande apoio das autoridades russas em sua disputa com o Hamas. O governo russo qualificou o presidente de "líder legítimo" dos palestinos. O chanceler russo, Serguei Lavrov manifestou o apoio de Moscou "aos esforços de Abbas para restaurar a lei, tentar obter a unidade entre os palestinos e continuar com o processo de busca de uma solução para a situação nos territórios palestinos". Abbas se reúne hoje com o presidente russo, Vladimir Putin. A Rússia, que integra o chamado Quarteto de Madri, tenta com EUA, ONU e União Européia reviver as negociações de paz no Oriente Médio. Em Gaza, o porta-voz do Hamas, Ghazi Hamad, disse ontem que o grupo está "trabalhando dia e noite" por meio de "canais secundários" para voltar a um governo de união nacional com o Fatah. "Ninguém está satisfeito com a atual situação", reconheceu Hamad durante uma visita de jornalistas estrangeiros a Gaza - organizada pelo Hamas com o objetivo de mostrar o sofrimento que o embargo internacional ao grupo tem causado aos moradores do território. Questionado sobre a possibilidade de um acordo em breve com os membros do Fatah, Hamad se limitou a dizer: "Talvez agora ainda estejam irritados, pois dizem que demos um golpe de Estado." O Hamas garantiu aos repórteres estrangeiros que o território agora está mais seguro e estável. Os jornalistas foram levados à residência presidencial e Hamad garantiu que, se Abbas quiser voltar a Gaza, terá todas as garantias de segurança. Horas após a visita dos jornalistas, Israel lançou um ataque aéreo contra um carro na Faixa de Gaza, ferindo sete pessoas, três delas militantes das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, braço armado do Fatah. Pelo segundo dia, Israel permitiu ontem que palestinos bloqueados no Egito desde a tomada de Gaza retornassem ao território. Desde o domingo, 414 palestinos puderam voltar do Egito para Gaza.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.