Abbas afirma haver acordo para governo de coalizão Fatah-Hamas

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, e o premiê Ismail Haniyeh concordaram nesta segunda-feira que seus partidos - o moderado Fatah, e o radical Hamas - irão formar um governo de coalizão. Tal ação deixa os palestinos com a esperança de que as sanções impostas contra o país sejam suspensas.Não foram fornecidos detalhes de imediato sobre os pontos do acordo de coalizão em desenvolvimento, mas ambos os lados afirmaram que está baseado em uma proposta que implica no reconhecimento do Estado de Israel. Países do ocidente e Israel têm segurado centenas de milhões de dólares do governo liderado pelo Hamas, que venceu nas eleições parlamentares de janeiro, devido à recusa do grupo em se desarmar, reconhecer Israel e aceitar a existência de acordos de paz. Hamas e Fatah vêm negociando há meses a formação da coalizão. Abbas interrompeu uma reunião com Haniyeh na segunda-feira pra convidar a mídia a ouvir seu anúncio. "Os esforços contínuos com a finalidade de formar um governo de unidade nacional terminou com êxito com o anúncio de um programa político para este governo", disse Abbas à TV palestina e à agência de notícias oficial WAFA. "Esforços nos próximos dias irão continuar para completar a formação do governo de unidade nacional". "O interesse nacional requer que todo o nosso povo se una para alcançar, em passos seguros, a vitória, com o estabelecimento do nosso Estado palestino independente, tendo Jerusalém como capital", afirmou Abbas. Ismail Haniyeh, que havia afirmado anteriormente que irira se manter no cargo de premiê sob tal governo, confirmou que os dois partidos pretendem governar juntos. "Trago boas notícias ao povo palestino e me sinto orgulhoso e feliz que neste importante momento nós estabelecemos um governo de coalizão nacional", a firmou Haniyeh. O legislador palestino Saeb Erekat, próximo de Abbas, disse que detalhes finais ainda devem ser definidos. Estes detalhes irão ajudar a decidir se o novo governo, se formado, irá receber o reconhecimento da comunidade internacional, negada ao governo liderado pelo Hamas. O porta-voz do ministério do Exterior de Israel, Mark Regev, disse que Israel espera que qualquer governo palestino futuro aceite as três demandas internacionais, e facilite a libertação do soldado israelense capturado há mais de dois meses por militantes ligados ao Hamas. "Se isso acontecer, teremos um processo de paz re-energizado e um novo momento no diálogo entre Israel e Palestina", disse Regev. Sanções e greveO acordo para unir forças é um indicativo da pressão que as sanções vêm causando sobre o Hamas para que o grupo modere sua ideologia anti-Israel. Inicialmente, os palestinos culpavam Israel e os países do ocidente pelas suas mazelas, mas nas últimas semanas, começaram a dirigir suas críticas ao governo liderado pelo Hamas. Dezenas de milhares de funcionários públicos iniciaram uma greve na semana passada para protestar contra o governo, que não paga os salários há seis meses. A transferência da verba de ajuda por parte dos países ocidentais e de Israel, agora congelada, têm sido a principal fonte de dinheiro para o pagamento dos salários antes da tomada do poder pelo Hamas. Os salários do governo sustentam um terço do povo palestino. Tanto Abbas quanto Haniyeh instaram a população a retornar aos seus trabalhos. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, deve assinar nas próximas 48 horas um decreto que irá dissolver o atual executivo do premiê do Hamas, Ismail Haniyeh, e o autorizará a formar um novo governo de unidade nacional, segundo o conselheiro presidencial, Nabil Abu Rudeina. A proposta que serve de base para o programa político da coalizão foi apresentado pela Liga Árabe em 2003, e demanda por um Estado Palestino na Cisjordânia e em Gaza, a aceitação de resoluções da ONU que pedem pela demarcação territorial, e o fim à violência dentro do Estado soberano de Israel. O documento também pede pela aceitação de uma iniciativa árabe que levaria à uma resolução do conflito no Oriente Médio como um todo. Israel havia rejeitado o plano, que requer uma retirada total dos territórios tomados durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967. ControvérsiasO movimento palestino islâmico Hamas nunca vai reconhecer Israel, disse o porta-voz oficial do grupo na segunda-feira, após o anúncio feito pelo presidente Mahmoud Abbas, de que as facções iriam formar um governo de unidade."O Hamas vai continuar a ter sua agenda política... nunca vamos reconhecer a legitimidade da ocupação", disse o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri. Funcionários do Hamas disseram que o acordo entre os partidos não continha o reconhecimento direto de Israel. Mas elementos da plataforma - que incluem a aceitação do plano árabe para um acordo de paz mais abrangente no Oriente Médio - sugerem o reconhecimento do Estado judeu.

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