Abbas ameaça dissolver governo do Hamas

O confronto entre o Hamas e a Fatah alcançou nesta segunda-feira um novo auge, quando o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) e líder da Fatah, Mahmoud Abbas, ameaçou, pela primeira vez, dissolver o governo do Hamas. "A Constituição me concede a autoridade de remover um governo. Prefiro não fazer uso dela, mas todos devem saber que, pela lei, tenho este poder", disse Abbas em uma entrevista à rede de televisão CNN, da Turquia. O presidente palestino, que se encontra em visita ao país, também disse a jornais árabes que o líder do Hamas, Haled Mashal, está tentando levar os palestinos a uma guerra civil. "Estamos lutando há 40 anos, e, apesar das divergências, nunca chegamos a uma guerra civil, mas agora há tentativas de acender o fogo de uma guerra entre irmãos", declarou Abbas. Estas declarações foram feitas em resposta às afirmações de Haled Mashal, que na última sexta-feira acusou a Fatah de colaborar com Israel em uma suposta tentativa de derrubar o governo do Hamas. Confrontos As acusações de Mashal provocaram uma série de confrontos violentos, durante o fim da semana, entre militantes da Fatah e do Hamas, tanto na Faixa de Gaza como na Cisjordânia. O choque mais violento ocorreu na cidade de Gaza, quando estudantes universitários que apóiam a Fatah se confrontaram com estudantes pró-Hamas. Cerca de 40 pessoas ficaram feridas nos enfrentamentos. Em resposta às últimas ameaças de Abbas, uma fonte anônima do Hamas na Cisjordânia disse ao jornal israelense Haaretz que o Hamas não vai abandonar o governo "em silêncio". "Nós sairemos, porém não pretendemos reconhecer o regime político palestino, não participaremos das eleições e iremos para a clandestinidade como fizemos antes e não participaremos de nenhuma trégua e nenhum compromisso. Se formos expulsos do poder, todos pagarão um preço alto. Esperamos que isso não aconteça." O presidente Abbas chamou o Hamas a "encarar os fatos e negociar com Israel" e disse que a recusa do Hamas pode levar os palestinos a passar fome, depois que os Estados Unidos e a União Européia cortaram o apoio econômico à Autoridade Palestina em decorrência da posição do Hamas. "Senão, a situação pode se transformar em uma tragédia no futuro próximo, em pouco tempo poderemos nos deparar com uma catástrofe de fome na Palestina", advertiu Abbas. Mahmoud Abbas se encontra na Turquia para uma visita de dois dias. Em seguida, ele deverá visitar a França, a Finlândia e a Noruega, e irá pedir apoio econômico para a Autoridade Palestina. O salário do mês de março de 150 mil funcionários públicos da Autoridade Palestina ainda não foi pago. De acordo com o primeiro-ministro e líder do Hamas, Ismail Haniye, os cofres da ANP estão vazios. De acordo com a lei palestina, se Abbas dissolver o governo, ele deverá pedir novamente a formação do novo Gabinete, que deve ser aprovado pelo Legislativo. Como o Hamas controla o Legislativo, é improvável que isto aconteça. Se Abbas determinar que há um impasse, ele tem a autoridade para convocar novas eleições.

Agencia Estado,

24 Abril 2006 | 14h02

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