ABBAS MOMANI / AFP
ABBAS MOMANI / AFP

Abbas anuncia que Autoridade Palestina deixará de respeitar acordos com Israel

Israel e palestinos têm acordos bilaterais nos campos de gestão de água e segurança; decisão foi tomada após demolições de casas de palestinos por israelenses em Jerusalém Oriental

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2019 | 17h28

RAMALLAH - O presidente palestino, Mahmoud Abbas, anunciou nesta quinta-feira, 25, que a Autoridade Palestina (AP) vai deixar de respeitar seus acordos estabelecidos com Israel, incluindo os de cooperação em segurança.

"Anunciamos a decisão da direção (palestina) de deixar de aplicar os acordos assinados com Israel", declarou Abbas em Ramallah, acrescentando que a direção palestina havia criado imediatamente um comitê para estudar como seguir adiante com essa decisão.

Israel e palestinos têm acordos bilaterais nos campos de gestão de água e segurança. Se os palestinos pararem de aplicá-los, isto poderá trazer consequências sobretudo para a segurança na Cisjordânia, um território palestino ocupado por Israel desde 1967.

Abbas, de 84 anos, já havia feito ameaças similares de não mais reconhecer Israel no passado, mas não chegaram a ser aplicadas.

As relações entre o governo de Abbas, que se baseia na Cisjordânia ocupada, e as autoridades israelenses se degradaram no curso dos últimos meses.

Esta semana, Abbas condenou as demolições de dezenas de residências de palestinos por Israel no bairro de Wadi al-Humus. Abbas e outras autoridades palestinas qualificaram as demolições como "crime de guerra", "limpeza étnica" e "massacre israelense".

O bairro está localizado em uma área que pertencia a Jerusalém Oriental e não foi anexada por Israel como o restante da cidade em 1967 e é controlada pela AP como Área A do território ocupado da Cisjordânia, como determinou o Acordo de Oslo de 1993.

Do lado israelense, o ministro de Assuntos Estratégicos, Gilad Erdan, enfatizou que as demolições foram aprovadas pela Suprema Corte de Justiça, que considerou que a construção dessas casas constitui uma "severa ameaça de segurança" e pode facilitar a ação "de terroristas".

A Corte também confirmou que os responsáveis pelas construção "sabiam que construir neste local (em um perímetro de 250 metros) era proibido" por uma lei de 2011.

Bloqueio 

Em fevereiro, Israel anunciou o bloqueio de 500 milhões de shekels (€ 122 milhões) sobre o montante total destinado à Autoridade Palestina ao título de imposto sobre valor agregado e de direitos de alfândega retidos pelo Estado hebraico sobre produtos importados pelos palestinos.

Essa sanção havia sido imposta em resposta ao desembolso pela Autoridade Palestina de ajuda às famílias de palestinos presos ou mortos por terem cometido ataques contra israelenses. Estas taxas representam 65% de receita da Autoridade Palestina. / AFP e EFE   

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