Abbas busca aliados para retomar processo de paz com Israel

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, inicia neste domingo, dia 3, uma viagem pelo mundo árabe para retomar o processo de paz, depois que as conversas para a formação de um Governo palestino de união nacional se estagnaram.Abbas começará sua viagem na Jordânia, onde se reunirá com o primeiro-ministro, Marouf al-Bahid.O jornal palestino "Al Quds", de Jerusalém Oriental, informa em sua edição deste domingo que Egito, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes e a ANP pretendem apresentar uma iniciativa árabe ao Conselho de Segurança da ONU destinada a retomar o estagnado processo de paz no Oriente Médio.O Comitê Executivo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), presidida por Abbas, responsabilizou no sábado à noite o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e o primeiro-ministro, Ismail Haniyeh, pela estagnação do processo de criação de um Governo de união nacional com o Fatah. Abbas e Haniyeh se reuniram este fim de semana em Gaza para formar o Governo a partir do "documento dos prisioneiros", divulgado há alguns meses por palestinos do Fatah e do Hamas detidos em prisões de Israel e que defendem a criação de um Estado independente na Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental ao lado do Estado judeu.O Hamas, que não pertence à OLP, não admite a legitimidade de Israel, pois foi fundado "em terras sagradas do Islã".Os fundamentalistas palestinos só admitiriam uma "longa trégua" em troca de que Israel suspenda suas operações militares nos territórios palestinos. A nova iniciativa, inspirada em uma proposta de paz da Arábia Saudita aprovada em 2003 pela Cúpula Árabe, pode ser respaldada pela União Européia (UE), que decidiu intervir com tropas na Força Interina da ONU no Líbano (Finul) para vigiar o cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah.Abbas se manifestou esta semana a favor da presença de tropas de interposição da ONU na Cisjordânia e em Gaza, a que Israel se opôs durante anos com o argumento de que o que ocorre nos territórios ocupados é um "assunto interno".O Governo do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, imerso em uma crise em torno do conflito com o Helzbollah, não reagiu desta vez à proposta do presidente da ANP, devido, aparentemente, à mudança da conjuntura política na região.RetiradaIsrael se retirou há um ano da Faixa de Gaza, após desmantelar os 21 assentamentos judaicos criados na região após a guerra de 1967, e Olmert, há quatro meses no poder, defende uma retirada de grande parte da Cisjordânia para fixar as fronteiras definitivas de Israel com um futuro Estado palestino.O fim da "segunda guerra" de Israel no Líbano contra o Hezbollah pode abrir agora uma nova etapa para a diplomacia da paz no Oriente Médio, após anos de marcha, contramarcha e fracassos que imergiram Cisjordânia e Gaza em uma grave crise.A criação de um Estado palestino ao lado do israelense, e "não em seu lugar", é apoiado não só pela comunidade internacional mas também pela maioria dos israelenses, à exceção dos colonos que consideram a Cisjordânia (Judéia e Samaria bíblicas) parte integral da "Terra Prometida", e dos partidos da direita, que militam na oposição, e vêem as concessões como "um grave perigo".

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