Abbas busca apoio internacional ao acordo de Meca

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, encontra-se em plena campanha para obter o apoio do mundo árabe, assim como o dos Estados Unidos e da União Européia (UE) ao acordo alcançado com o Hamas em Meca.Abbas deve reunir-se neste domingo com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, o principal mediador entre os palestinos e Israel ao lado do rei jordaniano, Abdullah II, com quem conversará na próxima terça-feira em Amã, assim como com o presidente russo, Vladimir Putin.Além disso, Abbas enviou a Washington dois de seus conselheiros políticos, Yasser Abned Rabbo e Saeb Erekat, para explicar o acordo alcançado com o primeiro-ministro palestino do Hamas, Ismail Haniyeh, e com o líder político do Movimento Islâmico, Haled Meshaal.No dia 19 de fevereiro deve chegar à região a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, para participar de uma conferência tripartida com o presidente palestino e o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert.Olmert analisa, na manhã deste domingo, o pacto entre Fatah e Hamas durante a reunião semanal do Gabinete Nacional, em uma atmosfera de hostilidade em direção ao conteúdo do acordo, que, entre outros pontos, não reconhece o Estado israelense nem promete pôr fim à violência.O Hamas também enviou um emissário, Nabil Amre, que deve chegar neste domingo à Europa para conseguir apoio ao Acordo de Meca.Um conselheiro de Haniyeh, Ahmed Yousef, declarou à "Al Jazira" que o Governo de unidade em formação não reconhecerá a legitimidade do Estado de Israel, "pois os palestinos estão sob sua ocupação".Quando esta "ocupação" acabar, "tudo ficará aberto a negociações", disse.UE, Estados Unidos, Rússia e ONU, membros do Quarteto de Madri e autores do plano de paz conhecido como "Mapa de Caminho", impuseram um embargo ao Governo do Hamas, que assumiu suas funções em março do ano passado, por não reconhecer a legitimidade de Israel.Segundo o pactuado entre os dois grandes movimentos palestinos em Meca, o Hamas "respeitará" os acordos com Israel feitos pelo ex-presidente da ANP Yasser Arafat, histórico líder do Fatah, mas, segundo analistas israelenses, os islamitas não se sentem "comprometidos" com eles, assim como acontece com o plano de paz adotado pela comunidade internacional.Fontes palestinas próximas à Muqata de Ramala, sede da Presidência de Abbas, afirmavam que apesar de contarem com cerca de um mês - até meados de março - para constituir o novo governo de união nacional, o anúncio de sua formação pode ocorrer em aproximadamente dez dias.Por enquanto, os negociadores do Hamas e seus opositores do movimento nacionalistas Fatah ainda não decidiram quem será o ministro do Interior, que desempenhará uma função fundamental no governo: o controle dos organismos de segurança da ANP.Segundo o acordado em princípio, deve ser uma personalidade independente. Também não se conhece ainda a plataforma política que servirá de guia ao próximo Governo de unidade.

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