Abbas convocará plebiscito se não houver acordo entre facções

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, abriu a conferência de diálogo nacional entre diferentes facções palestinas avisando que, se não houver um acordo fundamental sobre o futuro Estado palestino, recorrerá diretamente ao povo através de um referendo.O líder quer submeter à consulta popular um acordo preliminar feito por palestinos detidos em prisões israelenses, que defende a criação de um Estado palestino dentro das fronteiras de 1967, ou seja, Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental.Este acordo, que também foi ratificado por presos do Hamas - que governa a Autoridade Nacional Palestina (ANP) -, representa um reconhecimento implícito do Estado de Israel, e do projeto de criação de dois Estados, princípios até agora rejeitados pelo movimento islâmico."Se o diálogo não conseguir alcançar um acordo (alinhado com a iniciativa dos prisioneiros) no prazo de dez dias, começando a partir de amanhã, convocarei um plebiscito popular depois de 40 dias", anunciou Abbas aos representantes de diferentes grupos na cidade de Ramallah.O presidente da ANP disse aos representantes que participarão do "diálogo nacional palestino", em Ramallah, que existe um consenso sobre as fronteiras do futuro Estado palestino."Todos os palestinos, do Hamas aos comunistas, todos nós estamos de acordo que queremos um Estado palestino com as fronteiras de 1967", anteriores à Guerra dos Seis Dias, na qual Israel ocupou Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental."Isto é o que há, não podemos falar de sonhos" inalcançáveis, acrescentou.Abbas recomendou ao movimento Hamas que abandone as posições absolutistas, e informe o que poderia aceitar em um futuro acordo com Israel.Anteriormente, o primeiro-ministro da ANP e líder do Hamas, Ismail Haniyeh, havia afirmado que continua comprometido "com a unidade do povo palestino e a linguagem do diálogo deve ser a única a prevalecer".O Hamas autorizou Abbas a negociar com Israel, mas em seu discurso desta quinta-feira o presidente pediu que o grupo islâmico se posicione claramente.Na quarta-feira, em Washington, em discurso no Congresso dos EUA, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, mostrou sua disposição em dialogar com Abbas.Além do futuro das relações com Israel, os líderes dos grupos palestinos debatem soluções para a disputa de poder entre milicianos e membros das forças de segurança do Hamas e do Fatah.Haniyeh pediu aos militantes do Hamas e do Fatah que deixem de lado os conflitos armados.No entanto, rejeitou de antemão o pedido de Abbas para que retire das ruas de Gaza os 3.000 oficiais da nova "força de apoio" da Polícia, criada pelo Ministério do Interior da ANP, e reivindicou para esta pasta as competências relativas à segurança.O presidente da ANP lidera o Conselho de Segurança Nacional e, por isso, tem a última palavra em questões referentes aos órgãos de manutenção da ordem e comanda a maior parte das forças.Outros temas a serem tratados são a crise financeira - provocada pela suspensão das ajudas externas desde a posse do Hamas, em março -, o papel da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), e as relações tensas entre a Presidência e a Chefia do governo.Em seu discurso, Abbas disse que ANP vive um cerco político, que se somou ao cerco econômico que impede o pagamento dos salários dos seus 160.000 funcionários.A conferência de dois dias será realizada por videoconferência em Ramallah e Gaza, já que Israel impede os dirigentes do Hamas de saírem da Faixa de Gaza.Matéria atualizada às 11h12

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