Abbas critica ofensiva israelense contra Gaza

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, denunciou a ofensiva israelense contra o vilarejo de Beit Hanoun, na Faixa de Gaza, encerrada na madrugada desta terça-feira. "Se Israel apela por segurança e estabilidade, derramar o sangue de palestinos certamente não é o meio de obtê-las", comentou. A sangrenta ofensiva contra a cidade palestina de Beit Hanoun, no norte da Faixa de Gaza, deixou para trás um rastro de dezenas de mortes, casas destruídas, árvores arrancadas pela raiz e ruas enlameadas pela água que vazava dos encanamentos destruídos pelos tanques e escavadeiras de Israel. Cerca de 50 palestinos, militantes em sua maioria, e um soldado israelense morreram durante a ofensiva. Mesmo com o término da operação, mais 10 palestinos morreram em episódios de violência ocorridos nas proximidades de Beit Hanoun nesta terça-feira, inclusive três pessoas mortas num ataque contra a casa da deputada palestina Jamila Shanti, eleita pelo Hamas. Segundo o Exército de Israel, os seis dias de ações contra Beit Hanoun tinham como objetivo coibir os disparos de foguetes caseiros por parte de militantes palestinos contra cidades israelenses próximas. Ainda assim, horas depois da retirada israelense, militantes palestinos voltaram a disparar foguetes na direção de Israel a partir de um terreno baldio em Beit Hanoun. Não há informações sobre vítimas ou danos causados pelos foguetes lançados nesta terça-feira. O Exército israelense anunciou ter apreendido grande quantidade de armas e detido dezenas de supostos militantes palestinos. Apesar da retirada, os soldados israelenses mantiveram posições na periferia de Beit Hanoun. Alívio No fim da madrugada, pouco depois da retirada, centenas de moradores de Beit Hanoun saíram de suas residências para inspecionar os danos provocados pela incursão. A maioria dos moradores da cidade enclausurou-se no interior de suas casas enquanto militantes palestinos e soldados israelenses protagonizavam combates ao longo da última semana. Centenas de pessoas escalaram enormes bancos de areia armados por Israel para bloquear as entradas de Beit Hanoun. Uma mesquita que na semana passada foi palco de um dramático impasse estava quase totalmente reduzida a escombros nesta terça-feira. Em pé, restava apenas um minarete. Khalil Yazgi, de 45 anos, observava enquanto mulheres e crianças reviravam os destroços de um prédio de quatro andares onde viviam cerca de 50 integrantes de sua família. Tudo o que restava da edificação eram uma escada e alguns aposentos expostos. "Se eu fosse contra os lançamentos de foguetes, agora eu encorajaria as pessoas a disparar foguetes de tudo quanto é canto. Isso é um ato de terror. É como largar uma vaca enlouquecida dentro de uma loja de porcelanas", comparou. Fios de telefone e de transmissão de energia elétrica estavam expostos nas ruas destruídas, muitas delas com os rastros dos tanques israelenses bastante evidentes. Durante uma emocionada cerimônia fúnebre, dezenas de milhares de pessoas caminhavam atrás das ambulâncias que conduziam os corpos de 23 pessoas mortas durante a última semana nesta cidade de apenas 50 mil habitantes. O muro do cemitério de Beit Hanoun foi derrubado e diversas lápides foram destruídas pelos tanques de Israel. Enquanto algumas pessoas concentravam-se na reformas das lápides, outras escavavam novas sepulturas para as dezenas de pessoas mortas nos últimos dias.

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