(AP Photo/Nasser Nasser)
(AP Photo/Nasser Nasser)

Abbas deixa hospital após uma semana internado e discussão sobre seus problemas de saúde é retomada

Aos 83 anos, presidente da Autoridade Palestina não escolheu um sucessor ou vice; aliados evitam o assunto publicamente, mas se movimentam nos bastidores

O Estado de S.Paulo

28 Maio 2018 | 11h33

RAMALLAH - O presidente da autoridade palestina, Mahmoud Abbas, recebeu alta hospitalar nesta segunda-feira, 28, depois de uma semana internado na Cisjordânia. Aos 83 anos, a internação chamou as atenções para seus problemas de saúde e sua recusa em nomear um sucessor ou vice. Abbas, com a voz firme, disse que voltará rapidamente ao trabalho e agradeceu seus apoiadores em todo o mundo pela preocupação. "Graças a Deus, eu recebi alta do hospital com saúde total e voltarei ao trabalho amanhã", declarou.

Ele insinuou que sua saúde foi afetada pela carga de trabalho pesada e o estresse causado pelo reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel pelos Estados Unidos. "Se a questão de Jerusalém me colocou no hospital, eu quero sair quando Jerusalém for nossa capital", disse a repórteres em um breve comunicado.

Os palestinos se opuseram à decisão dos EUA sobre a capital de Israel e à transferência da embaixada americana de Tel-Aviv para Jerusalém. A população palestina acredita que a decisão do presidente Donald Trump enfraquece sua reivindicação de Jerusalém Oriental, anexada por Israel, como a capital de um futuro Estado. Desde a mudança, Abbas congelou os laços entre a Palestina e os EUA.

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Abbas foi internado no dia 20 com febre, dias depois de ter passado por uma cirurgia no ouvido. Segundo informaram autoridades palestinas, ele estava com pneumonia, recebia antibióticos por via intravenosa e utilizava um respirador. Seus aliados insistiram que ele gozava de boa saúde, apesar de continuar internado.

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O líder palestino é um fumante de longa data, tem problemas de peso e um histórico de saúde que vai desde problemas cardíacos até um câncer de próstata. Há dois anos, ele passou por um procedimento cardíaco de emergência depois de sofrer com exaustão e dores no peito. Mais recentemente, um cardiologista se mudou para o complexo presidencial em Ramallah para monitorar o líder, depois que ele se consultou com médicos nos EUA após aparentar fraqueza durante discurso no Conselho de Segurança da ONU.

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A preocupação com sua saúde retomou as discussões de um possível conflito sobre sua sucessão. Depois de mais de uma década evitando a questão sobre a era pós-Abbas, as autoridades palestinas começaram a cautelosamente falar sobre o assunto em público, principalmente para minimizar a crise. Enquanto isso, potenciais sucessores discretamente disputam posições.

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"Alguns estão usando a doença do presidente para ganho político. É uma vergonha", disse o ex-chefe de segurança da Cisjordânia Jibril Rajoub, considerado um dos possíveis sucessores de Abbas. Já o funcionário de alto escalão do partido Fatah, Abbas Zaki, se esquivou da questão, dizendo que a Organização de Libertação da Palestina (OLP), órgão que controla o governo, "estará no comando se o posto do presidente estiver vazio". / AP

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