Abbas denuncia 'provocação' em decisão de Israel sobre locais santos

Israel quer classificar como patrimônio nacional locais sagrados de território ocupado palestino.

BBC Brasil, BBC

23 de fevereiro de 2010 | 21h15

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, classificou a intenção israelense de incluir dois locais sagrados do território palestino ocupado da Cisjordânia na lista do patrimônio nacional do país como uma "provocação".

Segundo Abbas, a decisão pode dar início a uma guerra religiosa entre judeus e muçulmanos.

"Uma provocação assim não contribui para o processo de paz. Isso pode provocar uma guerra religiosa", disse Abbas em discurso no Senado belga.

Os planos do governo do premiê israelense Benjamin Netanyahu, divulgados domingo, já geraram protestos na Jordânia, Egito e Síria. O Hamas, grupo rival do Fatah de Abbas, também criticou a medida.

A Autoridade Palestina convocou uma greve de três dias, a partir da última segunda-feira na cidade bíblica de Belém em protesto contra a ideia. Uma grande manifestação foi marcada para a sexta-feira.

Planos polêmicos

Netanyahu anunciou domingo que o pedido de inclusão do Túmulo dos Patriarcas de Hebron e do Túmulo de Raquel, em Belém, teria sido feito pelo partido ultraortodoxo Shas e já teria sido aprovado.

"Em um tempo de crescente globalização e superficialidade, estamos criando pontos para unir pais e filhos e aproximar os filhos do povo, da terra e da herança judaica e sionista", disse ele, citado pelo portal de notícias Israel News.

Os partidos de direita e os dirigentes dos grupos de colonos judeus em territórios ocupados classificaram a decisão como "histórica".

Mas o principal partido de oposição questionou a inclusão dos dois monumentos na lista de patrimônios nacionais.

"Esta é outra tentativa de misturar as fronteiras entre o Estado de Israel e os territórios ocupados. Só é preciso um pouco de pressão da direita e Netanyahu cede", disse o chefe do partido esquerdista Meretz, Chaim Oron.

O ex-ministro de gabinete palestino, Mustafá Barghouti, disse que a decisão representa uma declaração de Israel de que não há esperança para as negociações de paz.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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