Abbas ''distorceu a História'' em artigo no NYT, acusa Bibi

Premiê de Israel diz que líder árabe tentou mudar o passado para justificar decisão de levar à ONU independência palestina

, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2011 | 00h00

TEL-AVIV

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin "Bibi" Netanyahu, reagiu ontem ao artigo publicado no New York Times pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, no qual o líder árabe anunciava que levará às Nações Unidas uma proposta unilateral de independência. Segundo Netanyahu, Abbas "explicitamente distorceu fatos históricos" para fins políticos.

No texto - reproduzido na edição de ontem do Estado -, o presidente palestino afirma que foi expulso de sua casa na Galileia - atual território de Israel - por tropas do recém-independente Estado judeu, em 1948. Segundo Netanyahu, "foram os Exércitos árabes, com ajuda dos palestinos, que atacaram Israel para destruí-lo" após rejeitarem a partilha da Palestina. "Isso não é mencionado no artigo."

O premiê afirmou ainda que o artigo de Abbas de forma enganosa diz que o problema dos refugiados palestinos foi uma das razões que levaram ao conflito de 1948. "Essa questão foi uma consequência, não uma causa" da guerra, completou Netanyahu. "Alguns líderes palestinos exortaram seus companheiros a abandonar o território para facilitar a destruição de Israel pelos árabes."

O gabinete do primeiro-ministro afirmou em nota que Abbas escolheu levar uma resolução instaurando o Estado palestino à ONU com o objetivo de criar novos pontos de conflito com Israel e não a paz.

As declarações foram feitas um dia antes de Netanyahu desembarcar em Washington, onde deve se encontrar com o presidente Barack Obama e ter o raro privilégio de discursar a parlamentares republicanos e democratas da tribuna do Congresso dos EUA.

No texto, Abbas afirma que apenas uma parte da resolução da ONU de 1947 foi cumprida, a que concedeu independência a Israel. O Estado árabe que deveria ser criado na região até hoje não existe. O líder árabe, então, pede apoio dos EUA para que as Nações Unidas reconheçam a independência palestina.

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