Abbas diz a Rice que rejeita Estado palestino temporário

Em reunião neste domingo com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse que não concorda com a criação de um Estado palestino temporário criado sob fronteiras provisórias.A idéia foi lançada no mês passado pela ministra do Exterior israelense e também é parte do "Mapa do Caminho", uma iniciativa pela paz apoiada pelos Estados Unidos.Abbas disse que falou à secretária, no domingo, que rejeita a idéia. "Nós dissemos à secretária Rice que rejeitamos qualquer solução temporária, incluindo um estágio transitório, porque não vemos isso como uma opção realista", disse Abbas em uma coletiva de imprensa concedida juntamente com Condoleezza. A secretária, por sua vez, respondeu reiterando seu comprometimento com o internacionalmente aceito "Mapa do Caminho". A iniciativa, criada pelo Quarteto de Madrid - que é formado por Estados Unidos, Rússia, União Européia e ONU -, tem por objetivo a criação de um Estado palestino independente paralelamente à Israel."Meu trabalho trará melhores resultados, eu acho, nesses próximos meses, quando tentaremos acelerar o progresso no Mapa do Caminho, que, apesar de tudo, poderá nos levar a um Estado Palestino e ajudará os palestinos e israelenses a pensarem a partir de um horizonte político", disse Condoleezza. A secretária acrescentou que ouviu de várias vozes durante sua visita ao Oriente Médio que os Estados Unidos devem aprofundar seu envolvimento nos esforços de paz na região. "Vocês terão o meu comprometimento para fazer precisamente isso", disse ela. "O povo palestino espera por um longo tempo para ter seu próprio Estado. O povo israelense espera por um longo tempo para viver em paz e segurança com seus vizinhos", disse ela, acrescentando que o presidente George W. Bush deseja fazer o que for necessário para ajudar a atingir essa realidade. Abbas, por sua vez, disse que as facções rivais Fatah e Hamas ainda tentam chegar a um acordo para a formação de um governo de união nacional nos territórios palestinos. Embora Abbas, que é do Fatah, esteja na presidência, é o grupo islâmico Hamas que controla o parlamento e, conseqüentemente, o governo palestino. Desde meados do ano passado os dois grupos tentam chegar a um acordo para formação de um governo aceito pela comunidade internacional, já que o Hamas é considerado uma organização terrorista por Israel, Estados Unidos e União Européia. Abbas disse que se a última tentativa de se chegar a um acordo com o Hamas, atualmente em andamento, não funcionar, ele seguirá com a idéia de antecipar as eleições. A proposta, anunciada no final de 2006, resultou em graves enfrentamentos entre as milícias armadas dos dois grupos.Apoio israelense Apesar da costumeira discordância entre palestinos e israelenses, um importante político do governo israelense concordou neste domingo com Abbas, classificando um Estado palestino provisório como ilusório. O vice-ministro da Defesa de Israel, Ephraim Sneh, disse que "sem proporcionar uma esperança aos palestinos de que terão um estado independente, será impossível derrotar o Hamas". Sneh é membro do Partido Trabalhista, organização que compõe o governo de centro israelense e que historicamente defende uma reconciliação com os palestinos.Durante sua reunião com Condoleezza neste domingo, o presidente Abbas pediu o engajamento da secretária na promoção de um reatamento das negociações com Israel, "visando pôr fim à ocupação e buscando a criação de um Estado palestino segundo a visão do presidente (George W.) Bush".Abbas também pediu à chefe da diplomacia americana a fixação de um calendário preciso que possa cumprir o Mapa de Caminho.O ministro da Defesa de Israel, Amir Peretz, líder dos trabalhistas, declarou no sábado em um ato de solidariedade com os soldados feridos em combate que Israel "deve oferecer aos palestinos uma iniciativa política generosa para enfraquecer os extremistas e fortalecer o presidente da ANP, Mahmoud Abbas".Peretz anunciou esta semana um novo plano de paz de três períodos que deveria culminar com um Estado palestino soberano em 30 meses.

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