Abbas diz que conflito em Gaza é ´loucura´ e pede trégua

Presidente da ANP insiste que os grupos aceitem a mediação egipcía do cessar-fogo

Agencia Estado

18 Junho 2007 | 11h59

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, voltou a pedir nesta quarta-feira, 13, que as facções palestinas abandonem a violência na região da Faixa de Gaza, e considerou a luta internas como "loucura". O apelo de Abbas foi realizado durante entrevista coletiva, após uma reunião, em Ramala, com o ministro de Assuntos Exteriores holandês, Maxime Verhagen. Ele disse ainda que espera que os grupos aceitem a oferta egípcia de mediar as negociações do cessar-fogo nesta quarta-feira. O Hamas deu nesta quarta um ultimato de dois dias às forças de segurança leais ao Fatah para que deponham as armas e entreguem suas bases em Gaza, enquanto as brigadas vinculadas ao Fatah em Nablus deram prazo de 12 horas a seus rivais para parar os ataques no território, pois, caso contrário, haverá represálias na Cisjordânia. Um grupo de legisladores do Fatah pediu hoje a Abbas que decrete estado de emergência e convoque novas eleições em Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental. O general Burham Hamad, chefe da representação do Egito em Gaza, pediu que a população civil vá às ruas para exigir o cessar-fogo. Alguns palestinos, entre eles muitas mulheres, responderam ao apelo. Mas a manifestação foi dissolvida quando os insurgentes começaram a atirar para o ar. O presidente da ANP advertiu na terça-feira que a atuação do Hamas em Gaza tinha reflexos de golpe de estado. Depois, a direção de seu partido, o movimento nacionalista Fatah, suspendeu a participação no governo de união nacional com os fundamentalistas do Hamas, enquanto a onde de violência não acabar. Ultimato ao Fatah O braço armado do Hamas, as Brigadas de Ezzedeen al-Qassam, deu um prazo de dois dias às forças de segurança leais ao Fatah para que deponham as armas e saiam de suas bases e escritórios na Faixa de Gaza. Segundo um comunicado divulgado pelo movimento islâmico através de uma rádio vinculada ao Hamas, as forças de segurança da Autoridade Nacional Palestina (ANP) têm até as 19h (13h de Brasília) da próxima sexta-feira para entregar suas armas ou, caso contrário, estas serão tomadas à força. O Hamas insistiu em que continuará "até o final" para acabar com as forças leais ao Fatah na Faixa de Gaza, as quais acusou de ser "soldados colaboradores" com o inimigo, em alusão a Israel. As Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, vinculadas ao movimento nacionalista Fatah do presidente da ANP, Mahmoud Abbas, na cidade cisjordaniana de Nablus, deram um prazo de 12 horas a seus rivais do Hamas para parar os ataques na Faixa de Gaza, caso contrário, farão represálias. Intervenção estrangeira A União Européia (UE) considera a possibilidade de integrar uma força internacional em Gaza caso os representantes da região julgassem necessária uma intervenção na região, o chefe da diplomacia da União Européia, o espanhol Javier Solana, declarou nesta quarta-feira. "Se nos pedissem, claro que consideraríamos a possibilidade", disse Solana aos repórteres. Ele falou em resposta à sugestão do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, que cogitou a intervenção de forças internacionais posicionadas ao longo da Faixa de Gaza, na região da fronteira com o Egito, para tentar conter o conflito entre grupos Palestinos rivais que tomou a região. A UE, cujos policiais já auxiliam no monitoramento da fronteira de Gaza, disse que poderia avaliar a possibilidade de um plano de paz para a região se houvesse um acordo entre Israel e os Palestinos. "Nós estamos distantes de uma decisão", disse ele. "Nós veremos como as coisas se encaminham, e a decisão tomada pelos representantes israelenses, palestinos e egípcios." Solana confirmou que esteve em contato por toda a noite com Abbas e outros líderes num esforço de acalmar a situação na região, que vive o confronto entre as forças do Fatah e do Hamas. "A situação em Gaza é dramática", acrescentou. Conflito armado Homens armados do grupo Hamas seguiram nesta quarta com a ofensiva em Gaza, matando ao menos seis combatentes leais ao presidente Mahmoud Abbas, em uma luta pelo poder que aproxima a região de uma guerra civil. Aos gritos de "parem com as mortes", cerca de 1.000 palestinos marcharam pela Cidade de Gaza e foram recebidos por tiros para o alto de militantes do Hamas em uma delegacia policial tomada das forças rivais da Fatah, no dia anterior. Desde sábado, ao menos 56 palestinos foram mortos nos mais intensos combates internos em meses. A violência levou a Fatah, que parece estar perdendo terreno para o Hamas em Gaza, a dizer que suspenderia sua participação em um governo de unidade com o Hamas se uma trégua não for declarada imediatamente. O governo foi formado em março sob mediação de sauditas, a fim de acabar com as lutas internas e amenizar sanções do Ocidente. Os palestinos também foram às ruas de Ramallah, na Cisjordânia, para expressar sua frustração. "As armas destinadas a combater a ocupação estão agora nos tendo como alvo", afirmou Wafa Abdel-Rahman, referindo-se a Israel. Israel, que retirou colonos e tropas da Faixa de Gaza em 2005, declarou que não vai intervir no conflito palestino.

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