Abbas diz que não reconhecerá caráter judeu do Estado de Israel

Negociador palestino critica Netanyahu por ampliar construção de assentamentos em Jerusalém

estadão.com.br,

15 de outubro de 2010 | 16h39

Bairro de Pisgat Zeev, onde serão erguidas novas casas.

 

JERUSALÉM - Os palestinos não assinarão sob nenhuma circunstância nenhum acordo no qual reconheçam Israel como o estado do povo judeu, disse hoje o presidente Mahmoud Abbas a deputados israelenses do partido esquerdista Hadash. A afirmação foi feita no mesmo dia em que Israel decidiu ampliar assentamentos em Jerusalém Oriental.

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"A Autoridade Palestina reconheceu a existência de Israel em 1993 e agora Israel tem que reconhecer o Estado palestino nas fronteiras de 1967", disse o presidente palestino, segundo o jornal israelense "Haaretz".

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ofereceu esta semana estender a moratória à construção nas colônias judias na Cisjordânia em troca do reconhecimento por parte dos palestinos de Israel como estado do povo judeu.

Os palestinos se negam a este reconhecimento porque consideram que não concerne a eles determinar a personalidade de outro estado, porque nega sua narrativa histórica e poderia piorar a situação dos palestinos que têm cidadania israelense porque permaneceram em seu lugar de origem após a criação do Estado de Israel em 1948, que hoje representam 20% da população israelense.

Jerusalém Oriental

Outros oficiais da ANP acusaram Netanyahu de tentar boicotar o processo de paz após o governo anunciar a ampliação de assentamentos em Jerusalém Oriental. "O governo Netanyahu está determinado a frustrar qualquer chance de retomada nas negociações", disse o principal negociador palestino, Saeb Erekat.

De acordo com ele, a medida é um golpe nos esforços dos EUA de impedir o colapso nas negociações. "Israel deu as costas à Liga Árabe, que defende o prazo de um mês para os americanos solucionarem o impasse".

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