AP Photo/Majdi Mohammed
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Abbas diz que retoma negociações de paz se Israel cessar colonização

Presidente da Autoridade Palestina afirma que continuará colaborando estreitamente com a França para garantir o êxito da conferência internacional que será realizada em Paris em meados de janeiro para tratar a paz na região

O Estado de S. Paulo

28 Dezembro 2016 | 23h12

JERUSALÉM - O presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, disse nesta quarta-feira, 28, que está disposto a retomar as negociações de paz caso o governo israelense cesse a colonização nos territórios ocupados.

"No minuto em que o governo israelense aceitar suspender todas as suas atividades de colonização (...) a direção palestina estará pronta para retomar as negociações", declarou Abbas após o discurso do secretário americano de Estado, John Kerry.  

Segundo o secretário-geral da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erekat, a volta à mesa de negociação está vinculada à manutenção das condições prévias. 

Abbas voltará a negociar com um calendário fixado e com base na lei internacional e nas decisões relevantes, incluindo a última resolução 2334 do Conselho de Segurança da ONU, se Israel parar toda a atividade nos assentamentos, entre os quais os de Jerusalém Oriental, e implementar os acordos assinados previamente, afirmou Erekat, segundo a agência de notícias estatal palestina Wafa.

"Abbas escutou com grande interesse o discurso do secretário de Estado americano, John Kerry, no qual este ressaltou seu compromisso com uma paz justa como opção estratégica", declarou Erekat.

"O presidente da AP está convencido da possibilidade de alcançar uma solução justa, completa e duradoura com base na iniciativa de paz árabe (...) se for garantido o fim completo da ocupação e o estabelecimento do Estado independente da Palestina nas fronteiras de 1967, com sua capital em Jerusalém Oriental, vivendo em paz e segurança ao lado de Israel", acrescentou.

Também pede que se garanta "uma solução à questão dos refugiados e dos prisioneiros" baseada no direito internacional e nas resoluções relevantes.

Além disso, Abbas continuará colaborando estreitamente com a França para garantir o êxito da conferência internacional que será realizada em Paris em meados de janeiro para tratar a paz na região.

Kerry pronunciou hoje um discurso no qual fixou os parâmetros que o governo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, considera necessários para o fim do conflito.

Eles incluem a solução de dois Estados, com base nas fronteiras de 1967 com ajustes territoriais estipulados, com direitos completos para seus cidadãos e com Jerusalém como capital de ambos, uma solução ao problema dos refugiados, o fim da ocupação e a garantia das necessidades de segurança israelenses, com um Estado palestino desmilitarizado e o fim de todas as reivindicações de ambas partes.

Minutos depois do discurso, o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, comentou que ele foi "parcial" e "obsessivo" com as colônias judaicas em território palestino ocupado. / AFP e EFE

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