Abbas e Hamas divergem quanto à formação de governo unificado

O Hamas e o presidente palestino Mahmoud Abbas expressaram posições conflitantes sobre o governo de coalizão nesta quarta-feira. A formação do governo unificado é uma questão central para que a ajuda internacional de milhões de dólares volte a ser enviada à Autoridade Palestina. As informações são do jornal Times, e da agência de notícias Reuters.O governo do Hamas disse em declaração que seu acordo no sentido de formar um governo de coalizão com Abbas e o Fatah não deve ser visto como um abrandamento da posição do grupo islâmico em relação a Israel. "Hamas não reconhece e não irá reconhecer a ocupação e não irá aceitar qualquer agenda governamental que implique no reconhecimento da ocupação", afirmou o porta-voz do Hamas, Sami Abu, usando o termo do grupo para designar o Estado judeu.Seus comentários parecem desafiar as afirmações feitas anteriormente por Abbas a repórteres. O líder moderado disse que sob seu acordo com o Hamas, um governo unificado "irá respeitar os acordos (Israel) assinou com a OLP (Organização para a Libertação da Palestina)." Abbas se referia ao acordo de paz provisório que o Hamas, que prega a destruição de Israel, vem rejeitando há muito tempo.Os palestinos esperam que a criação de uma administração unificada irá levar ao fim de um embargo realizado pelos países ocidentais, imposto após o Hamas ter assumido o governo em março, em decorrência de sua vitória contra o Fatah nas eleições de janeiro. O "Quarteto" de mediadores, composto pelos EUA, UE, ONU e Rússia, disse que só voltará a ajudar o governo palestino após ele reconhecer Israel, renunciar à violência, e aceitar os acordos de paz. Mas alguns diplomatas e analistas acreditam que a União Européia pode ceder por menos que os EUA, procurando ministros que não são do Hamas para manter o envio de fundos. Manifesto dos prisioneirosAbbas e o premiê Ismail Haniyeh, líder do Hamas, concordaram na segunda-feira em formar um governo unificado, com base em um documento escrito por prisioneiros palestinos em prisões israelenses.O manifesto dos prisioneiros, que aparenta incluir o reconhecimento de Israel, menciona uma iniciativa de 2002 que demanda que Israel devolva todos os territórios tomados na guerra dos Seis Dias, de 1967, o estabelecimento do Estado palestino e uma solução para o problema dos refugiados palestinos, em troca da paz.Mas o Hamas adicionou uma cláusula ao manifesto que ressalta a rejeição explícita ao reconhecimento de Israel.Abu Zuhri, ao saber das linhas mestras da administração unificada, baseada no documento dos prisioneiros, afirmou que o Hamas só irá compactuar com os elementos do manifesto que "não sejam contraditórios aos interesses do povo palestino".Israel disse que não irá falar com nenhum governo palestino que não aceite as três condições impostas pelo Quarteto.Abbas pediu por uma retomada das conversas de paz, tendo como base o plano Mapa do Caminho da Paz, que tem o apoio dos EUA, e demanda a construção de uma confiança recíproca no sentido de criar uma Estado palestino ao lado de um Israel seguro.Funcionários disseram que pode levar semanas para que o novo governo palestino tome forma. Abbas disse que a maioria parlamentar do Hamas garantiu que Haniyeh continuaria como premiê.Fontes do Hamas disseram que o grupo também queria manter o controle dos ministérios do Interior e das Finanças.O Hamas tem encarado greves generalizadas por funcionários do governo que demandam por salários atrasados desde março. Cento e quarenta mil funcionários não recebem há sete meses. Analistas políticos dizem que o descontentamento público ajudou o grupo a buscar uma parceria com o Fatah.Governo unificadoO Hamas, considerado uma organização terrorista por Israel e pelos países ocidentais, ainda pretende dominar a nova composição governamental, com sete ministros e mantendo Haniyeh como primeiro-ministro.O partido Fatah, mais moderado, iria ter quatro ministérios. O resto iria para facções menores.Mahmoud Abbas, membro do Fatah, continuaria como presidente.O orçamento do governo palestino tes as seguintes origens: Quarenta por cento são de impostos coletados por Israel, mas retidos desde março. Outros 30% são de impostos internos, e o resto de doações internacionais e empréstimos de bancos.Em junho o Programa Mundial de Alimentos estimou em 30 % o número de habitantes de Gaza que não conseguiram suprir suas necessidades básicas de alimentação.

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