Abbas e Hamas não chegam a acordo sobre novo governo

O presidente palestino Mahmoud Abbas viajou para Gaza nesta segunda-feira para realizar negociações com o Hamas sobre um governo de unidade nacional composto de especialistas independentes, mas ambos os lados falharam em arranjar os toques finais sobre o acordo. A agência de notícias EFE havia noticiado que ocorreria uma troca do primeiro-ministro palestino, Ismail Haniyeh, do Hamas, o que acabou, por ora, não sendo confirmado. Abbas e Haniyeh se encontraram por mais de duas horas em meio a relatos de que um relato estava próximo, mas autoridades disseram que as conversas acabaram sem um acordo. Ambos os lados disseram que a negociação retomaria na próxima terça-feira, 7, mas não disseram quais questões permanecem em aberto. Mustafa Barghouti, um legislador independente envolvido nas negociações, chamou o encontro de "frutífero". Ele disse que "houve acordo em algumas questões, mas outras ainda precisam ser discutidas". A negociação O movimento em direção a um acordo veio enquanto conflitos ao norte de Gaza se intensificaram, no sexto dia de ofensiva israelense na região. Pelo menos sete palestinos foram mortos, incluindo uma mulher-bomba. Enquanto isso, um míssil israelense intencionado a atingir um grupo de militantes caiu perto de uma escola infantil palestina, matando um adolescente, ferindo gravemente uma professora e seriamente machucando oito crianças, disseram médicos. Abbas, um moderado, tem instado ao Hamas, o qual controla a maioria das ocupações do governo, a se unir ao movimento do Fatah em uma coalizão para acabar com sanções internacionais. A plataforma do governo emergente, entretanto, é sensível quanto a uma exigência-chave internacional de que o Hamas reconheça Israel como país e pode não ser suficiente para acabar com o doloroso boicote econômico. "Estamos chegando perto de um acordo. Sem haver uma forte oportunidade para este acordo, Abu Mazen não teria vindo", disse Mustafa Barghouti. Abbas também é conhecido como Abu Mazen. Sob o plano em discussão, o gabinete e o primeiro-ministro do Hamas renunciariam e seriam substituídos por uma equipe de especialistas, na esperança do término do boicote ocidental, imposto ao grupo islâmico assim que assumiu o cargo através de eleições democráticas realizadas no começo deste ano. Doadores ocidentais, liderados pelos EUA e pela União Européia, cortaram centenas de milhões de dólares em auxilio para a Autoridade Palestina, governada pelo Hamas. Israel também suspendeu importantes transferências de impostos para os palestinos. Sem os fundos, o governo palestino está afundando em uma crise monetária, incapaz de pagar os salários de quase 165 mil funcionários públicos, o que espalhou dificuldades sociais em Gaza e na Cisjordânia.

Agencia Estado,

06 Novembro 2006 | 17h13

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