Abbas e Haniyeh pedem calma a Fatah e Hamas

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e o primeiro-ministro Ismael Haniyeh pediram juntos, na madrugada deste domingo, que seus seguidores tenham calma, após 72 horas de enfrentamentos que deixaram pelo menos 23 mortos entre militantes e civis.Cerca de 60 combatentes do Hamas e nacionalistas do Fatah, assim como transeuntes surpreendidos em meio a tiroteios nas ruas, ficaram feridos na Faixa de Gaza. Um deles encontra-se em estado de morte clínica, segundo fontes médicas.Entre os seis mortos de sábado em Gaza, há uma criança de seis anos, e, na sexta-feira, morreu outra de dois, também durante um tiroteio entre as milícias, apesar do cessar-fogo, que nenhuma delas respeitou.A nova onda de violência começou na quinta-feira à noite quando desconhecidos, aparentemente do Fatah, mataram dois membros de uma "força executiva" do Movimento Islamita Hamas, no campo de refugiados de Jebalia, ao norte de Gaza, onde ativistas e simpatizantes desse movimento celebrariam o primeiro aniversário de sua vitória eleitoral, em janeiro do ano passado.Devido aos enfrentamentos armados, que incluíram ataques contra a casa do ministro de Exteriores, Mahmud Zahar, e a de Rashid Abu Shbak, chefe da Segurança Preventiva, leal ao presidente Abbas, as duas facções anunciaram que deixariam de participar de um diálogo destinado a formar um governo de unidade.Zahar, médico ginecologista e dirigente do ala radical do Hamas, disse aos jornalistas que sua casa foi atacada com lança-granadas, e que o fogo destruiu dois de seus quartos.Trata-se da segunda onda de violência entre os lados rivais nos últimos dois meses. A anterior foi desencadeada em dezembro, depois que o presidente Abbas anunciou a intenção de antecipar as eleições.O Hamas quer um Estado palestino islâmico e teocrático, enquanto o Fatah deseja que ele seja democrático e laico. O jornalista Ashraf al-Afyami sustenta que outro motivo para a violência é a rivalidade entre os efetivos do aparelho de segurança da ANP e os militantes do Fatah, leais a Abbas, com os combatentes do Hamas.O jornalista disse que todos sabem da existência de túneis, mas não era conhecido, como revela neste domingo o jornal israelense Yedioth Ahronoth, que militantes do Hamas tenham colocado quatro cargas explosivas em um deles, que se encontra debaixo da estrada pela qual costuma passar o presidente Abbas quando viaja a Gaza de sua sede oficial na "Muqata", na cidade cisjordaniana de Ramalah.

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