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Abbas encerra negociações com Hamas e convoca referendo

Os esforços para convencer o Hamas a reconhecer Israel não deram resultados e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, anunciou nesta segunda-feira que irá convocar um referendo para decidir a questão. O membro da Frente Popular para Libertação da Palestina (FPPLP) Khalda Jara citou Abbas informando aos participantes de uma reunião, que incluía membros do Hamas, que o "diálogo acabou sem resultados e que não há outra escolha senão prosseguir com o referendo".O Hamas se opõe a realização do referendo e é a favor de mais negociações para tentar resolver o impasse. O presidente palestino havia estabelecido um prazo até a meia noite (18 horas em Brasília) para o fechamento de um acordo, mas disse aos deputados, uma hora antes do fim do prazo, que as tentativas foram inúteis. Jara disse que durante a reunião com membros dos partidos em Ramallah, o presidente deixou a sala para atender um telefonema do primeiro-ministro do Hamas, Ismail Haniye. Depois de 70 minutos de conversa, Abbas retornou à reunião informando que os dois não conseguiram chegar a um acordo."O diálogo não produziu um entendimento nacional e o presidente anunciará sua escolha", afirmou o deputado Hanan Ashrawi, que também participou da reunião". Dois estadosAbbas queria que o Hamas aceitasse uma proposta que estabelece a criação de um Estado palestino paralelo a Israel. Contudo, aceitar este acordo exigiria que o grupo extremista, que pede a destruição de Israel, reconhecesse implicitamente o Estado judeu.O plano foi formulado por poderosos prisioneiros políticos do Hamas e da Fatah, detidos em cadeias israelenses. Contudo, os líderes exilados do grupo, que tomam as decisões finais na política, se recusaram a aceitar a proposta.O presidente da ANP apoiou o plano dos dois Estados como uma maneira de encerrar as sanções impostas aos palestinos, que incluem o bloqueio de milhões de dólares em ajuda humanitária, bem como reiniciar as negociações de paz com o governo israelense.No entanto, o Hamas afirma que aceitar o plano significaria abandonar seus princípios. O grupo também argumenta que o referendo é desnecessário pois os palestinos já escolheram seus programas políticos durante as eleições legislativas que o colocou no poder há quatro meses. Apesar do boicote internacional imposto aos palestinos, o Hamas manteve sua plataforma política extremista. O bloqueio financeiro impediu que o governo palestino pagasse os salários de seus 165 mil funcionários durante três meses. Muitos palestinos estão inquietos com a idéia do referendo. Entretanto, pesquisas apontam a população é a favor de negociações com Israel o que faria com que o documento fosse aprovado com facilidade. O referendo certamente provocará a ira do governo liderado pelo Hamas a curto prazo, mas pode oferecer uma saída para seu isolamento no cenário internacional.

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