Abbas entrega pedido palestino de adesão à ONU

O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, entregou ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, uma carta pedindo o reconhecimento de um Estado palestino para o seu povo, medida que tem oposição de Estados Unidos e Israel.

ALISTAIR LYON, REUTERS

23 Setembro 2011 | 14h56

Abbas se encontrou com Ban na sede da organização, em Nova York, para apresentar formalmente o pedido de adesão plena à ONU. A questão terá de ser avaliada pelo Conselho de Segurança, o que pode levar algum tempo.

"Nós estendemos nossas mãos para o governo israelense e o povo israelense para fazer a paz", disse Abbas em um discurso no qual expôs sua proposta na Assembleia Geral da ONU, que o recebeu com um estrondoso aplauso.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, subiu logo depois à tribuna para argumentar que apenas negociações diretas entre ambas as partes poderão levar a um Estado palestino.

Os palestinos dizem que decidiram recorrer à ONU por não verem perspectiva de retomada do processo de paz com Israel, que, a despeito da pressão internacional, recusa-se a congelar a expansão dos seus assentamentos em território ocupado --algo que os palestinos veem como uma pré-condição.

A decisão de Abbas também expõe a declinante influência dos EUA numa região tumultuada pelos levantes nos países árabes e pelas alterações nas alianças, o que mergulhou Israel num isolamento ainda maior.

"Nosso povo vai continuar com sua resistência popular, pacífica", declarou Abbas. "Esta política israelense (de assentamentos) vai destruir as chances de alcançar uma solução de dois Estados e... ameaça minar a estrutura da Autoridade Nacional Palestina e mesmo a sua existência."

Foi a primeria vez que Abbas falou tão duramente da perspectiva do fim da ANP.

"NÃO HÁ ATALHO"

Em discurso na quarta-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, já havia dito que "não há atalho para o final de um conflito que já dura décadas".

Como retaliação à solicitação unilateral de reconhecimento, políticos de Israel e dos EUA sugerem represálias financeiras que inviabilizariam o funcionamento da Autoridade Palestina.

Um assessor de Abbas disse que, caso isso ocorra, a Autoridade Palestina poderia se dissolver, forçando o governo de Netanyahu a reassumir a responsabilidade sobre toda a Cisjordânia --um grande ônus demográfico e de segurança para Israel.

"Vamos convidá-los a se tornarem a única autoridade do rio Jordão ao Mediterrâneo", disse o veterano negociador Saeb Erekat à Rádio Israel.

A ONU estabeleceu em 1947 que a Palestina, então um protetorado britânico, deveria ser dividida em um Estado judeu e um Estado árabe. Mas os governos árabes imediatamente rejeitaram a decisão e declararam guerra ao recém-criado Estado de Israel, que então capturou territórios além daquilo que previa a partilha da ONU, fazendo com que centenas de milhares de palestinos se tornassem refugiados.

Numa guerra posterior, em 1967, Israel ampliou ainda mais sua área, conquistando vários territórios vizinhos, inclusive a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental --territórios hoje reivindicados pelos palestinos para a criação do seu Estado.

Israel já desocupou a Faixa de Gaza, hoje sob controle do grupo islâmico Hamas, mas diz que nunca irá abrir mão do lado leste de Jerusalém.

A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, disse que os EUA vão continuar trabalhando por uma paz que seja negociada e durável.

"A despeito do que ocorrer amanhã (sexta) na ONU, continuamos focados no dia seguinte", disse ela na quinta-feira.

Abbas, cuja popularidade cresceu desde que ele decidiu pleitear a adesão à ONU, admite que é preciso negociar com Israel, mas argumenta que o reconhecimento do Estado deixará os palestinos em maior pé de igualdade.

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