Abbas exige fim de assentamentos

Para palestino, congelamento da ocupação é pré-requisito para paz; Olmert construiu 9 mil casas na Cisjordânia

AFP E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

28 de abril de 2009 | 00h00

O presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, condicionou ontem qualquer acordo com o novo primeiro-ministro de Israel, Binyamin "Bibi" Netanyahu, ao congelamento imediato dos assentamentos judaicos na Cisjordânia. Também ontem, uma rede de ONGs israelenses divulgou que o governo do ex-premiê Ehud Olmert, apesar das promessas de paz, em três anos construiu e emitiu licenças para cerca de 9 mil casas na região sob ocupação de Israel.A coalizão governista israelense conta com partidos de colonos da Cisjordânia e Netanyahu apoia a construção de novas casas na região, ocupada em 1967. Embora o governo do presidente americano, Barack Obama, tenha manifestado forte apoio à criação de um Estado palestino, Bibi até agora não deu sinais de que seu governo estará aberto à solução e defendeu apenas uma "paz econômica", calcada no desenvolvimento regional. TOM DUROEm discurso, Abbas garantiu que os "palestinos não se submeterão às pressões" israelenses e internacionais para negociar. O líder da AP disse ainda que se recusa a reconhecer o "caráter judaico" de Israel - exigência feita na semana passada por Bibi. "Não é o meu trabalho fazer descrições sobre seu Estado. Podem chamá-lo de ?República Socialista Hebreia?. Isso não é da minha conta", disse Abbas. "Tudo que sei é que existe um Estado de Israel com as fronteiras de 1967 - nem um centímetro a mais, nem a menos."Os palestinos temem que o reconhecimento de Israel como Estado judeu dificulte ainda mais o retorno de refugiados árabes, forçados a deixar suas casas na guerra de 1948.Bibi e Abbas devem se reunir separadamente com Obama em Washington em maio. A Casa Branca esperava a posse do novo governo em Israel para aumentar os esforços de paz.ASSENTAMENTOSGrupos pacifistas israelenses pediram a Obama que pressione rapidamente o novo gabinete de Israel a frear a ampliação de assentamentos, principalmente em torno de Jerusalém Oriental, "para salvar a solução de dois Estados". O anúncio foi feito durante a divulgação de um estudo sobre o crescimento da ocupação durante o governo centrista de Olmert.De 2006 a 2009, na Cisjordânia, 9 mil casas foram construídas ou receberam autorização do governo, afirma o estudo. Só em Jerusalém Oriental, 2.400 casas teriam sido construídas. Segundo as ONGs, o último projeto de assentamentos na região seria um prédio com 62 apartamentos no bairro de Zawahra. Mas a informação não foi confirmada por Israel.Desde 1967, quando Israel conquistou a Cisjordânia da Jordânia na Guerra dos Seis Dias, cerca de 470 mil israelenses mudaram-se para a região, dos quais 190 mil para Jerusalém Oriental. Uma das mais polêmicas áreas de ocupação em Jerusalém Oriental é conhecida como E-1 e situa-se ao lado do segundo maior assentamento da Cisjordânia, Maale Adumim. Condenado até mesmo pelo governo de George W. Bush, o crescimento dos assentamentos na região virtualmente isolaria os palestinos de Jerusalém Oriental. No mês passado, o jornal israelense Haaretz divulgou que o premiê de Israel e seu chanceler, o ultradireitista Avigdor Lieberman, teriam concordado informalmente em construir 3 mil casas e um centro comercial em E-1. O gabinete israelense não confirmou a informação.

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