Abbas exige na ONU prazo para fim de ocupação da Cisjordânia

Em discurso, palestino defendeu a punição dos responsáveis pela morte de civis em Gaza e culpou Israel pelo fim de diálogo

CLÁUDIA TREVISAN, ENVIADA ESPECIAL / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2014 | 02h02

Em um contundente discurso na Organização das Nações Unidas (ONU) ontem, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, acusou Israel de genocídio e defendeu a punição dos responsáveis pela morte de civis na Faixa de Gaza. "Em nome da palestina e de seu povo, afirmo aqui hoje: nós não vamos esquecer, nós não vamos perdoar e nós não vamos permitir que criminosos de guerra escapem da punição."

Abbas afirmou que o recente conflito entre israelenses e palestinos enterrou a negociação de paz entre os dois lados promovida pelo secretário de Estado dos EUA, John Kerry.

Em seu lugar, Abbas defendeu a aprovação, pelo Conselho de Segurança da ONU, de uma resolução que estabeleça um cronograma para a retirada de colonos israelenses do território palestino e crie um mecanismo para a demarcação de fronteiras dentro das linhas existentes em 1967.

"Não há sentido ou valor em negociações cujo objetivo não seja o de terminar com a ocupação israelense e obter a independência do Estado palestino, com Jerusalém Oriental como sua capital", afirmou Abbas.

Segundo ele, a ocupação israelense e a ausência de um Estado palestino soberano estão entre as circunstâncias que favorecem o crescimento de grupos extremistas como o Estado Islâmico. A situação se agravou ainda mais com o último conflito entre os dois lados, no qual 2,1 mil palestinos - a maioria civis - morreram. Do lado israelense, 67 soldados e 6 civis morreram.

"Essa última guerra contra a Faixa de Gaza foi uma série de crimes de guerra absolutos praticados diante dos olhos e ouvidos de todo o mundo", declarou o líder palestino, em referência ao conflito que durou 50 dias entre julho e agosto.

"Temos de supor que ninguém se perguntará por que o extremismo está crescendo, por que a cultura da paz está perdendo terreno e os esforços para alcançá-la estão fracassando", disse Abbas.

Reação. O discurso do líder palestino foi duramente criticado por membros do gabinete do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu. Membros do alto escalão do governo israelense afirmaram que as alegações de Abbas "estavam cheias de mentiras e provocações e não condiziam com o discurso de um homem que quer a paz".

Para o chanceler israelense, Avigdor Lieberman, o discurso prova que Abbas "não quer e não pode ser parceiro para uma solução política razoável". "Abu Mazen (apelido pelo qual Abbas é conhecido) provou mais uma vez que não é um homem de paz, mas sim o sucessor de Arafat em vários sentidos."

Danny Danon, diretor do comitê central do Likud, disse que o discurso de Abbas - assim como o feito pelo líder palestino em 2013 - busca uma "solução instantânea que não tem base real".

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