Abbas lança ultimato a Israel e ameaça romper negociações de paz

Líder palestino exige que Israel estenda prazo de congelamento nas construções de assentamentos

Guila Flint, BBC

21 de setembro de 2010 | 17h33

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, lançou nesta terça-feira, 21, um ultimato e ameaçou romper as negociações de paz com Israel se o país não estender o prazo de congelamento na construção de assentamentos na Cisjordânia, que deverá terminar dentro de cinco dias.

 

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"Sem congelamento (na construção dos assentamentos) não continuarei as negociações nem por um minuto", afirmou o presidente palestino.

O congelamento de dez meses, decretado pelo premiê israelense, Binyamin Netanyahu, em novembro do ano passado, deixa de vigorar em 26 de setembro.

Abbas - que já havia dito antes que, com a retomada das construções, os palestinos iriam abandonar o diálogo com Israel - também disse que, se a suspensão das obras for mantida, será possível alcançar um acordo preliminar "dentro de dois meses".

No entanto, Netanyahu rejeitou o ultimato de Abbas e declarou que "começamos as negociações sem pré-condições e não se pode voltar a impor pré-condições cinco minutos após as negociações começarem".

Efeito 'positivo'

As negociações diretas entre israelenses e palestinos foram retomadas em Washington no inicio deste mês, quase dois anos após terem sido suspensas em consequência da ofensiva de Israel à Faixa de Gaza, ocorrida em dezembro de 2008 e janeiro de 2009.

O Quarteto - grupo formado pelos Estados Unidos, Organização das Nações Unidas (ONU), Rússia e União Europeia - que tem um papel fundamental na intermediação do processo de paz no Oriente Médio, fez um apelo a Israel para que estenda o prazo do congelamento.

De acordo com o Quarteto, o congelamento tem um "efeito positivo" sobre as negociações.

O Quarteto também pede que ambos os lados (israelenses e palestinos) evitem atos de provocação e pronunciamentos que possam acirrar os ânimos.

No entanto, o governo israelense afirmou que não pretende estender o prazo do congelamento.

Ofensas

Na Cisjordânia - região reinvidicada pelos palestinos para fazer parte de seu futuro Estado - existem mais de 150 assentamentos nos quais moram cerca de 300 mil colonos israelenses.

Outros 200 mil israelenses moram na parte oriental de Jerusalém, na qual os palestinos pretendem fundar sua capital.

O congelamento decretado pelo governo israelense se refere apenas à Cisjordânia e não inclui a construção em Jerusalém Oriental, anexada por Israel depois da guerra de 1967.

Segundo um relatório da ONG Paz Agora, 20 mil novas unidades habitacionais nos assentamentos já foram aprovadas e, se o congelamento não for mantido, milhares delas começarão a ser erguidas imediatamente após o dia 26 deste mês.

O site israelense de notícias Ynet disse que o governo americano pediu aos líderes da Autoridade Palestina que evitem fazer declarações ofensivas contra o premiê israelense Binyamin Netanyahu porque elas poderiam prejudicar o avanço das negociações.

De acordo com fontes palestinas citadas pelo site, a observação do governo americano se refere principalmente às declarações de um dos líderes do Fatah, Mohamed Dahlan, que chamou Netanyahu de "mentiroso em quem não se pode confiar" e afirmou que as negociações "não obterão resultados".

 

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