Abbas nega ter ameaçado Hamas mas pede moderação

O líder palestino Mahmoud Abbas negou que estivesse ameaçando derrubar o governo do Hamas, mas insistiu, neste domingo, que o grupo militante deve adotar posições mais moderadas para evitar um embate com sua autoridade. Abbas advertiu em uma carta ao primeiro-ministro Ismail Haniyeh, tornada pública no sábado, que exerceria sua autoridade quando necessário para proteger o interesse do povo palestino. A afirmação foi vista como uma ameaça velada de uso do poder constitucional que permite a Abbas demitir o primeiro-ministro. Contudo, o presidente da Autoridade Palestina (AP) disse a jornalistas, no domingo, que não se trata de uma ameaça. "Eu apenas disse a eles que existe um programa político que difere daquele da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e de seu presidente, o que pode impedir nosso trabalho no futuro", disse Abbas depois de reunião dom o presidente egípcio, Hosni Mubarak. "Eu notifiquei o primeiro-ministro da necessidade de mudanças na política do Hamas para que possamos impedir o isolamento internacional e regional do povo palestino", acrescentou. O novo governo liderado pelo Hamas deverá assumir na quarta-feira. Abbas mantém seu posto de presidente da Autoridade Palestina, criando uma situação em que, a presidência reconhece o Estado de Israel e procura negociar com ele, enquanto o governo é liderado por um partido que se recusa a aceitar o Estado judeu. O presidente da AP pediu aos lideres árabes, reunidos na capital do Sudão, Cartum, que apóiem o governo palestino, independente quem seja o presidente da Autoridade. "Esperamos que a Liga Árabe mantenha o apoio ao povo palestino, que participou de um processo democrático (nas eleições parlamentares) e não deve ser punido, como temos ouvido de algumas partes internacionais", disse ele, referindo-se aos pedidos dos Estados Unidos de corte da ajuda ao governo palestino. Com as eleições de Israel na quinta-feira, Abbas afirmou que o próximo governo israelense deve lidar com os palestinos, ao invés de tomar ações unilaterais. O primeiro-ministro interino de Israel, Ehud Olmert, cujo partido, o Kadima lidera as pesquisas, disse que planeja tomar uma série de medidas unilaterais para separar os palestinos, estabelecendo as fronteiras finais de Israel até 2010.

Agencia Estado,

26 Março 2006 | 14h50

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