Abbas ordena que forças palestinas controlem cessar-fogo

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, ordenou a suas forças de segurança em Gaza que controlem o cessar-fogo com Israel que entrou em vigor neste domingo, às 6h (2h de Brasília), e o façam ser respeitado. Abbas ordenou que as forças de segurança da ANP patrulhem sobretudo a região de Beit Hanoun, para impedir os milicianos de dispararem foguetes Qassam contra localidades vizinhas, no sul de Israel. O porta-voz de Abbas, Nabil Abu Rudeina, que anunciou a determinação presidencial, disse à rádio pública israelense que o disparo de cinco foguetes Qassam contra a localidade israelense de Sderot, vizinha à Faixa de Gaza, foi "uma violação leve" do acordo firmado sábado à noite pelo presidente da ANP e pelo primeiro-ministro de Israel, Ismail Haniyeh, com várias facções Palestinas. Até o meio-dia, milicianos tinham disparado cinco foguetes contra Sderot - os quais não fizeram vítimas -, alegando que só respeitarão a trégua quando Israel, que encerrou suas operações em Gaza, também o fizer na Cisjordânia, onde, nesta madrugada, soldados israelenses detiveram dois militantes do Hamas em Hebron. Abu Rudeina disse que essas violações, pelas quais os braços armados do Hamas e a Jihad Islâmica se responsabilizaram, "terminarão totalmente" em breve. As forças de segurança da ANP contam com cerca de 20 mil homens na Faixa de Gaza, mas, em geral, não costumam enfrentar essas facções armadas, que operam de forma independente e paralela às forças do governo. Fontes israelenses disseram que "as próximas horas serão decisivas" para saber se a trégua se manterá de pé, porque, caso os ataques do Hamas e da Jihad Islâmica continuem, as Forças Armadas porão fim à "contenção" ordenada pelo governo de Ehud Olmert. Em declarações à rádio israelense, o deputado palestino Saeb Erekat, do movimento nacionalista Fatah e encarregado das negociações com Israel pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP), responsabilizou as duas citadas facções islâmicas pela violação do cessar-fogo. Erekat também pediu a todos os grupos que respeitem o acordo com Abbas e com o primeiro-ministro Ismail Haniyeh. O deputado confirmou que a trégua inclui o fim dos ataques contra a população civil em localidades de Israel, do contrabando de armas do Egito e dos ataques suicidas. O político palestino disse à emissora que, uma vez que o cessar-fogo se consolidar nos próximos dois ou três dias, o acordo se estenderá à Cisjordânia, separada de Gaza pelo sul do território israelense. Um porta-voz dos Batalhões de Jerusalém, braço armado da Jihad Islâmica, Abu Ahmad, declarou aos jornalistas que sua facção se comprometeu a obedecer à trégua, desde que Israel suspenda suas operações não só em Gaza, mas também na Cisjordânia, já que as duas regiões "formam uma unidade territorial". A Jihad, acrescentou Ahmad, reagirá se "apenas um" de seus homens for atacado pelo exército israelense. Retirada de Gaza A Autoridade Nacional Palestina (ANP) confirmou que as tropas israelenses deixaram suas posições na Faixa de Gaza, o que já havia sido anunciado nesta manhã por fontes militares de Israel quando a retirada aconteceu. As tropas israelenses que deixaram a Faixa de Gaza, agora estacionadas nas cercanias desse território, não responderam a estes ataques, pois o primeiro-ministro, Ehud Olmert, ordenou "contenção", a fim de dar uma chance à consolidação do cessar-fogo.

Agencia Estado,

26 Novembro 2006 | 12h31

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