AP Photo/Majdi Mohammed
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Abbas pede desculpas por comentários antissemitas

No começo da semana, Presidente da Autoridade Palestina afirmou que a 'função social' do povo judeu era emprestar dinheiro; ministro da Defesa de Israel, Avigdor Lirberman disse que líder palestino era 'infeliz negador do Holocausto' e que suas desculpas não seriam aceitas

O Estado de S.Paulo

04 Maio 2018 | 16h56

JERUSALÉM - O presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, pediu desculpas nesta sexta-feira, 4, por seus comentários antissemitas feitos durante discurso proferido nesta semana. Na fala, ele desconsiderou as conexões históricas judaicas com a Terra Santa. Segundo autoridades palestinas que falaram à imprensa sob anonimato, Abbas emitiu o pedido devido à pressão de inúmeros diplomatas e ministros de Relações Exteriores.

As declarações fizeram parte de uma fala do líder palestino ao Parlamento da Organização de Libertação da Palestina (OLP) na segunda-feira. Ele disse que o empréstimo de dinheiro é uma "função social" dos judeus, o que causou reações negativas na Europa.

O presidente da AP ainda descreveu a criação do Estado de Israel como um projeto colonial europeu e afirmou que a "história nos diz que não há embasamento para a pátria judaica". Seus comentários foram duramente condenados pelas Nações Unidas, pela União Europeia, pelos Estados Unidos, por Israel e por outros Estados e grupos como uma falsificação da história e uma perpetuação de estereótipos antissemitas.

A agência oficial de notícias da Palestina noticiou o pedido de desculpas de Abbas. "Se as pessoas se ofenderam com a minha declaração, especialmente pessoas de fé judaica, peço desculpas a elas", disse. Ele ainda condenou o antissemitismo "em todas as suas formas", reiterou que continua comprometido com a solução de dois Estados e em viver lado a lado [com Israel] em paz e segurança.

O líder palestino utilizou a ocasião também para ressaltar seu posicionamento sobre o holocausto. "Eu gostaria de reiterar nossa longa condenação do Holocausto como o crime mais hediondo da história e expressar nossa solidariedade às vítimas." No entanto, em sua tese de doutorado produzida nos anos 1970, Abbas questionou o número de vítimas do genocídio nazista de judeus durante a 2ª Guerra. Ele foi acusado de negar a tragédia, mas desde então, se distanciou de tais alegações.

Após o pedido de desculpas desta sexta-feira, Abbas foi atacado pelo ministro da Defesa de Israel, Avigdor Lieberman, pelo Twitter. "Abu Mazen é um infeliz negador do Holocausto que escreveu seu doutorado sobre a negação do Holocausto e depois também publicou livro sobre a negação do Holocausto", disse Lieberman, que se referiu a Abbas pelo Twitter. "Suas desculpas não foram aceitas", acrescentou. / AP

 

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