John Schults/Reuters
John Schults/Reuters

Abbas pede prazo para decidir sobre diálogo

Líder palestino quer consultar a Liga Árabe antes de dizer se continuará negociando com Israel após fim da moratória nos assentamentos

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2010 | 00h00

O presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, adotou ontem um discurso moderado sobre o fim da moratória de construções em assentamentos na Cisjordânia. Em Paris, onde foi recebido pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, Abbas rejeitou adotar qualquer "decisão precipitada" sobre o fim do diálogo e pediu prazo até o dia 4, quando a Liga Árabe será consultada sobre o tema.

"Precisamos estudar todas as repercussões", afirmou, referindo-se à retomada das construções. Recebido no Palácio do Eliseu, horas depois do fim oficial da moratória na Cisjordânia, Abbas amenizou seu discurso. No domingo, ele disse que o diálogo seria uma "perda de tempo" caso os novos assentamentos fossem retomados. Ontem, em entrevista coletiva, o presidente da AP lamentou o fato de o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, não tem estendido o congelamento, mas evitou radicalizar seu discurso. "Após todas as reuniões, deveremos estar aptos a anunciar a posição palestina e árabe sobre o tema, depois da recusa de Israel de congelar a colonização", afirmou Abbas, relativizando: "Todo mundo quer a paz e todo mundo trabalha pela paz, mas todas as partes enfrentam obstáculos."

O presidente da AP ainda teve disposição de demonstrar otimismo sobre as chances de que as negociações resultem na criação de um Estado Palestino. "O tempo da criação de um Estado Palestino virá sem dúvidas, pois a maioria do povo israelense quer a paz", argumentou. "Eles sabem que não poderão viver normalmente sem a paz."

A presença de Abbas em Paris também serviu para Sarkozy protestar contra a ausência da União Europeia nas negociações de paz entre palestinos e israelenses. Ele classificou como "deplorável" o fim da moratória das construções, elogiou os esforços do presidente dos EUA, Barack Obama, mas reforçou o discurso de que a Casa Branca, sozinha, não conseguirá mediar a paz. "Dez anos após Camp David, não progredimos e talvez tenhamos até mesmo recuado na retomada do diálogo", advertiu.

Sarkozy propôs a criação de um "mecanismo de acompanhamento" da UE, que faria recomendações para facilitar a retomada do diálogo.

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