Mike Segar/Reuters
Mike Segar/Reuters

Abbas pede reconhecimento de Estado palestino pleno em discurso

'Chegou a hora de o povo palestino conquiestar sua liberdade', disse o líder na Assembleia-Geral

estadão.com.br

23 Setembro 2011 | 13h18

NOVA YORK - O presidente da Autoridade Palestina (Mahmoud Abbas), entregou nesta sexta-feira, 23, às lideranças da Organização das Nações Unidas (ONU) um pedido formal para o reconhecimento do Estado palestino, ignorando as pressões dos Estados Unidos e de Israel para abandonar a iniciativa. Abbas ainda pediu, durante seu discurso na Assembleia-Geral, que os israelenses "negociem a paz".

 

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Durante meses, Abbas reiterou que levaria o pedido ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, durante o encontro. Washington e Tel Avi, porém, rejeitam a iniciativa. Os americanos advogam pelo retorno das negociações de paz antes do estabelecimento da Palestina, enquanto os israelenses acreditam que o pedido serve apenas para deslegitimar o Estado judeu.

 

Em seu discurso, Abbas disse que os palestinos continuariam a resistir pacífica e popularmente a ocupação israelense e advertiu que a construção de assentamentos nos territórios palestinos ocupados ameaça a solução dos dois Estados e a sobrevivência de seu governo, a AP.

 

Abbas disse que é hora de o povo palestino conquistar sua liberdade. "Em um momento em que o povo árabe afirma sua luta pela democracia na chamada Primavera Árabe, chegou a hora também da primavera palestina, a hora para a independência", declarou Abbas, pouco depois de ter entregue, formalmente, ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, um pedido pela adesão palestina como membro pleno do organismo.

 

Abbas afirmou que o reconhecimento internacional de um Estado palestino "seria a maior contribuição para a paz" no Oriente Médio. Os palestinos pedem a delimitação de seu Estado a partir das fronteiras de 1967, que incluem a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental - territórios ocupados por Israel durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

 

Em seu discurso, Abbas disse que seu pleito na ONU tem como objetivo dar "legitimidade" às negociações, atualmente emperradas. Ele citou diversas vezes um dos principais impasses dos diálogos: os assentamentos israelenses em território reivindicado pelos palestinos. Vistos como legítimos por Israel, os assentamentos não são reconhecidos pela lei internacional. "Os assentamentos são o âmago da política colonialista e a causa primária do colapso do processo de paz", disse o presidente palestino, aplaudido diversas vezes durante sua fala.

 

O líder palestino ainda criticou os americanos, que se posicionam ao lado dos israelenses e não contribuem para a retomada do diálogo de paz. "Não é segredo que o governo dos Estados Unidos fizeram tudo o possível para evitar que viéssemos às Nações Unidas. Mas nós com certeza continuaremos além da pressão, porque estamos lutando por nosso direito, porque queremos nosso Estado independente", concluiu.

 

Avaliação

 

Logo após a entrega do pedido, o porta-voz da ONU, Martin Nesirky, disse que o documento seria analisado com rapidez pela entidade. "As análises processuais apropriadas serão tomadas rapidamente no secretariado e em seguida serão transmitidas ao presidente do Conselho de Segurança e ao presidente de Assembleia Geral", disse ele.

 

Reuters, BBC e Agência Estado

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