Nasser Ishtayeh/AP
Nasser Ishtayeh/AP

Abbas pode voltar atrás na decisão de pedir aval da ONU, diz embaixador

Presidente palestino poderia abrir mão de reconhecimento de Estado em troca de apoio da UE na AG

Guila Flint, BBC

18 Setembro 2011 | 14h54

RAMALLAH - Quatro dias antes do discurso do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, na ONU, quando está previsto o pedido ao Conselho de Segurança do reconhecimento do Estado palestino como membro pleno das Nações Unidas, o embaixador palestino na Alemanha, Saleh Abdel-Shafi, disse que a decisão ainda pode ser revertida.

 

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Citado pelo site israelense Ynet, Abdel-Shafi afirmou que a liderança palestina "ainda está negociando com os europeus". "Estaremos dispostos a abrir mão do pedido ao Conselho de Segurança se, em troca, os países europeus nos apoiarem na Assembleia Geral", disse.

 

Se conseguir o apoio da maioria dos países membros da ONU, a Autoridade Palestina poderá obter o reconhecimento como país não-membro, com status de observador.

Situação indefinida

De acordo com a representante da União Europeia (EU) para assuntos estrangeiros, Catherine Ashton, o bloco ainda não tem uma posição definida de como votaria sobre o estado Palestino. A expectativa é que a França, por exemplo, se posicione a favor da declaração do Estado palestino, enquanto é esperado que a Alemanha se oponha.

Segundo analistas, se a nova proposta se confirmar e Abbas abrir mão de se dirigir ao Conselho de Segurança, tanto a UE quanto os Estados Unidos evitarão situações diplomáticas delicadas, o que também poderia beneficiar as relações entre a Autoridade Palestina e alguns países ocidentais.

A UE, por exemplo, seria poupada de expor a ausência de uma posição conjunta sua sobre a questão palestina, enquanto os Estados Unidos evitariam a piora de suas relações com o mundo árabe, caso vetassem o Estado palestino no Conselho de Segurança.

 

Divergências internas

A nova proposta também pouparia a liderança palestina de expor divergências importantes entre Abbas e o primeiro-ministro, Salam Fayad. Fayad, que está preocupado com as ameaças de sanções econômicas por parte dos Estados Unidos, é contra o pedido ao Conselho de Segurança.

Segundo Maja Kocijancic, porta-voz de Catherine Ashton, "os próximos dias serão críticos". "São os palestinos que terão de decidir sobre seus próximos passos, porém nós continuamos acreditando que uma solução construtiva, que tenha o apoio mais amplo possível e possibilite a retomada das negociações, será o único e melhor caminho para alcançar a paz e a solução de dois Estados que os palestinos desejam", disse.

 

O ex-primeiro-ministro britânico e enviado especial do Quarteto (EUA, UE, ONU e Rússia) para o Oriente Médio, Tony Blair, disse neste domingo em entrevista à rede de TV americana ABC, que estão sendo realizados esforços para dissuadir os palestinos de ir ao Conselho de Segurança nesta semana. "O que nós vamos procurar nos próximos dias é uma maneira de obter algo que permita a seus pedidos e a suas aspirações legítimas de criar um Estado ser reconhecidos, e ao mesmo tempo de fato renovando a única coisa que vai produzir um Estado - que é uma negociação direta entre os dois lados", disse Blair.

"Acho que é possível preencher as lacunas e produzir tal documento, e se nós fizermos isso, então, de alguma maneira, aconteça o que acontecer na ONU, isso ocorrerá em uma atmosfera de menos confronto, e pode até ocorrer de uma maneira que ajude o processo de negociação e de criação de um Estado", afirmou o ex-premiê britânico.

Israel

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou que irá defender pessoalmente a posição do país na Assembleia Geral da ONU. Netanyahu afirmou que irá a Nova York para dizer "a verdade". Segundo o premiê, Israel está disposto a retomar as negociações diretas com os palestinos, mas estes tentam impor "condições prévias" e insistem em tomar a medida "unilateral" de se dirigir à ONU.

Em setembro de 2010, Abbas disse que não voltaria à mesa de negociações se Israel não parasse a construção de assentamentos na Cisjordânia e não aprovasse as fronteiras anteriores à guerra de 1967 como base para as negociações.

 

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