Abbas pressiona Hamas para aceitar Estado israelense

Faltando apenas algumas horas para o término do prazo estipulado para que o Hamas valide um documento que reconhece implicitamente a existência de Israel, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse nesta segunda-feira que não irá voltar atrás em seu ultimato. Recentemente, Abbas anunciou que convocaria um referendo sobre o assunto caso os militantes islâmicos rejeitassem a proposta, assinada por líderes de todas as facções palestinas detidos em prisões israelenses. Por enquanto, os líderes do Hamas não mostraram interesse em aceitar os termos do presidente. Abbas deu ao Hamas até esta terça-feira para aceitar a proposta, que contempla a existência de um Estado israelense paralelamente ao Estado palestino. A aceitação do acordo requereria do Hamas, que jurou a destruição de Israel, o reconhecimento do Estado judeu.Em uma reunião nesta segunda-feira entre representantes do partido do presidente, a Fatah, e líderes do Hamas, foi informado que um acordo não seria atingido até a última hora do prazo.Mesmo sob os cortes de distribuição de renda ao governo palestino feitos pelos Estados Unidos, União Européia e Israel, os líderes do Hamas exilados em outros países, e que possuem a palavra final nas decisões políticas, recusaram a proposta de Abbas.Pesquisas feitas entre a população palestina mostram que o documento imposto pelo presidente Abbas seria facilmente aprovado caso seja levado a um referendo.A violênciaA briga interna entre os dois partidos fez com que a violência voltasse a retomar o território palestino, e já deixou cerca de 16 mortos.Nesta segunda-feira, um grupo de homens armados, partidários do Hamas, invadiu uma rede de televisão palestina no sul de Gaza, forçando os empregados a se retirarem do estabelecimento e destruindo os equipamentos da emissora, disseram testemunhas. Os militantes acusaram a rede, que é controlada por Abbas, de uma cobertura injusta dos fatos.Mas o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zurhi, negou o envolvimento no caso. Após o ataque, os funcionários da emissora fizeram um protesto na Cidade de Gaza contra a invasão.Com o salário de milhares de trabalhadores da máquina estatal palestina atrasados, o grupo Hamas havia prometido o pagamento de vários funcionários. Nesta segunda-feira o governo falhou em cumprir sua promessa, causando uma confusão generalizada nas áreas palestinas.

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