Abbas proíbe Al-Jazira de atuar na Cisjordânia

A Autoridade Palestina (AP) proibiu ontem a emissora de TV Al-Jazira de trabalhar na Cisjordânia sob alegação de que o canal árabe incita seus telespectadores contra o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e apoia o grupo radical islâmico Hamas contra o secular Fatah.A decisão foi tomada depois que a emissora levou ao ar um programa de 30 minutos em que acusava Abbas de ter participado, cinco anos atrás, de um complô para matar seu antecessor na AP, Yasser Arafat, morto em 2004 em Paris.A acusação, veiculada na terça-feira, foi atribuída pela TV a um dos principais rivais de Abbas no Fatah, Farouq al-Kadoumi, que vive fora dos territórios palestinos. "Apesar de nossos repetidos apelos para que a Al-Jazira mantivesse a objetividade na cobertura das questões palestinas e assumisse uma posição equilibrada sobre a situação, o canal continua incitando a população", disse o comunicado emitido pelo Ministério da Informação.Agentes de segurança da AP foram à sede da emissora, em Ramallah, para entregar a ordem do ministério. "Os funcionários da Al-Jazira não estão autorizados a trabalhar, transmitir ou sair a campo enquanto o Judiciário não der o veredicto", disse o porta-voz do serviço de segurança da AP, Adnan Damiri. As relações entre a Al-Jazira e a AP começaram a se deteriorar depois que o Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza, há dois anos, expulsando o rival Fatah. Na época, correspondentes da emissora disseram ter sofrido pressão das forças de segurança subordinadas a Abbas.

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