Abbas rejeita mediação no caso do Hamas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou ontem que o Brasil continua disposto a "conversar" com o movimento islâmico palestino Hamas e os radicais israelenses, "desde que possa ajudar", e qualificou-se para a tarefa ao argumentar que não há força política de direita ou de esquerda com a qual não seja capaz de dialogar.

Denise Chrispim Marin, ENVIADA ESPECIAL / RAMALLAH, O Estadao de S.Paulo

18 de março de 2010 | 00h00

"O que o povo palestino mais precisa e deseja é o direito de ser representado por uma só voz na mesa de negociação. Uma voz firme e uníssona, mas também equilibrada e moderada", afirmou. "Sem unidade, não haverá vencedores, mas só perdedores. Os palestinos vão continuar a ser um povo sem fronteiras, e Israel continuará a se sentir ameaçado."

Lula Chegou a oferecer o terreno neutro do Brasil para sediar essas conversas. Mas o presidente palestino, Mahmoud Abbas, esclareceu que a melhor forma de ajuda, nesse caso, seria a pressão indireta sobre o Hamas, para que assine um acordo com a Fatah, a facção que sustenta a Autoridade Palestina, que foi mediado pelo Egito.

Lula voltou ontem a cobrar um recuo de Israel no anúncio da construção de 1.600 casas em Jerusalém Oriental, somando-se aos EUA, que continuaram a bater duro nessa tecla ao longo da semana.

PARA ENTENDER

Hamas, isolado em Gaza

O Hamas é uma organização radical palestina que não reconhece a existência do Estado de Israel e controla a Faixa de Gaza desde 2007. Hamas é a abreviatura para Harakat Al-Muqawama al-Islamia (Movimento de Resistência Islâmica). O Hamas é, ao mesmo tempo, um movimento militar e um partido político. O grupo venceu as eleições parlamentares palestinas em janeiro de 2006 e chegou a formar um governo de união com a facção Fatah. Mas, em junho de 2007, o Hamas expulsou as forças de segurança da Fatah de Gaza, agora bloqueada por Israel.

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